As empresas do setor brasileiro de mineração registraram 14 operações de fusões e aquisições, nos seis primeiros meses deste ano. Para medida de comparação, o mesmo período de 2025 registrou nove negócios do tipo fechados, mas a medida de crescimento mesmo ocorreu no tamanho das transações: as operações realizadas no primeiro semestre ultrapassam os R$ 47 bilhões ante os R$ 4 bilhões registrados em 2025.
Como explica o sócio da KPMG, Paulo Guilherme Coimbra, o mercado de mineração apresentou, no primeiro semestre, um movimento bastante diferente de outros segmentos: “Mesmo com um crescimento moderado no número de transações, o valor financeiro negociado avançou de forma expressiva. Isso indica que o resultado foi fortemente influenciado por operações de maior porte, evidenciando o apetite por ativos estratégicos e pela consolidação de posições em um setor relevante para a economia brasileira.”
Para ele, o salto no valor movimentado, crescimento de mais de 11 vezes, demonstra que o mercado está disposto a direcionar volumes significativos de capital para oportunidades consideradas estratégicas, ainda que o ambiente permaneça mais restritivo para investimentos de menor escala.
Fusões e aquisições cross-border dominam mercado de mineração
Do total de transações deste ano, nenhuma se caracterizou por ser fundos de investimentos de private equity e venture capital. Já com relação ao tipo de operação realizada, das 14 operações concretizadas de janeiro a junho de 2026, 12 foram do tipo cross-border, que ocorre quando duas ou mais empresas com sedes em países diferentes unem suas operações e ativos para se tornarem uma única nova entidade societária.
As duas operações restantes foram domésticas, que acontece quando duas ou mais empresas do mesmo país se unem em suas operações para formar uma única nova entidade legal. Um desses negócios foi fechado pela Votorantim Cimentos, que adquiriu direitos minerários de uma jazida em Ribeirão Grande, do Grupo João Santos, por R$ 250 milhões.
Já as duas maiores aquisições foram capitaneadas por empresas estrangeiras. A Alcoa Corporation adquiriu ativos de mineração e refinaria da South32 por aproximadamente R$ 28,5 bilhões. Já a USA Rare Earth adquiriu a Serra Verde dos fundos Derham Capital, Energy e Minerals Group e Vision Blue, por R$ 13,9 bilhões.


