Por Weldon Bastos*
Falar em sustentabilidade na construção civil exige olhar para além do canteiro de obras. O setor está diante de um desafio que envolve toda a cadeia produtiva, algo que vai das matérias-primas utilizadas na fabricação de materiais à escolha de fornecedores, passando pelos processos industriais, pelo consumo de recursos e, principalmente, pela destinação dos resíduos gerados ao longo desse ciclo.
É dessa maneira que as práticas ESG, antes vistas como uma agenda restrita às áreas de sustentabilidade, têm feito parte de decisões estratégicas das empresas. Mais do que adotar iniciativas isoladas, o movimento preza pela construção de processos capazes de gerar impactos positivos que possam ser acompanhados, comprovados e aprimorados ao longo do tempo.
Um dos primeiros pontos dessa transformação está na seleção de matérias-primas. A escolha de materiais com menor impacto ambiental, a busca por fornecedores que também adotem boas práticas e o acompanhamento da origem dos insumos são decisões que ajudam a ampliar a responsabilidade das empresas sobre aquilo que colocam no mercado. Não basta olhar apenas para o desempenho ou para o custo de um produto, pois é preciso considerar também como ele foi produzido e quais impactos estão associados a esse processo.
Essa visão mais ampla também muda a relação com os fornecedores. A agenda ESG exige uma cadeia cada vez mais transparente, na qual critérios ambientais, sociais e de governança sejam considerados nas relações comerciais. Isso significa estabelecer parâmetros, acompanhar indicadores e criar mecanismos que permitam identificar pontos de melhoria. Dessa forma, a sustentabilidade, ao invés de ser encarada como responsabilidade exclusiva de uma empresa, também passa a depender da colaboração entre diferentes elos da cadeia.
Outro aspecto que merece atenção é a gestão de resíduos, visto que a construção civil possui uma relação direta com esse tema tanto pelo volume de materiais movimentados quanto pela diversidade de resíduos gerados. Por isso, pensar no destino desses materiais desde o início do processo é fundamental. A adoção de iniciativas de reciclagem, reaproveitamento e compensação pode contribuir para reduzir impactos e fortalecer uma lógica de maior responsabilidade sobre o ciclo de vida dos produtos.
Para que essas ações não se resumam a discursos, entretanto, é necessário falar em mensuração. Quantidade de resíduos destinados à reciclagem, redução no consumo de recursos, percentual de materiais provenientes de fontes responsáveis e evolução dos indicadores ambientais são alguns exemplos de informações que podem ajudar as empresas a entender o resultado concreto de suas iniciativas.
A transparência também ganha importância nesse processo, já que consumidores, investidores, parceiros e demais públicos estão mais atentos às práticas corporativas. Isso faz com que comunicar resultados de maneira clara seja tão importante quanto estabelecer metas, o que envolve apresentar avanços, mas também reconhecer desafios e pontos que ainda precisam evoluir.
Na construção civil, essa transformação não acontece de forma imediata. A cadeia é extensa, envolve diferentes fornecedores e exige mudanças que muitas vezes dependem de investimentos, adaptação de processos e maior integração entre áreas. Ainda assim, vemos uma oportunidade importante: incorporar critérios ESG às decisões do dia a dia pode contribuir não apenas para reduzir impactos ambientais, mas também para tornar os processos mais eficientes e as relações com fornecedores mais estruturadas.
*Weldon Bastos, Gerente de Operações Industriais da Viapol.


