A primavera começou oficialmente no Brasil em 22 de setembro sob a influência de um El Niño que ganhou força no Pacífico Equatorial e pode atingir intensidade histórica nos próximos meses. Para o setor elétrico, o fenômeno deve influenciar principalmente o regime de chuvas, a disponibilidade hídrica, as temperaturas e as condições de vento. A avaliação é da Nottus, empresa de inteligência de dados e consultoria meteorológica para negócios.
No Subsistema Sudeste/Centro-Oeste brasileiro, o período seco deste ano foi menos intenso, e os reservatórios chegaram à primavera com níveis elevados após o último período úmido. Para os próximos meses, a Nottus prevê chuvas dentro da normalidade ou ligeiramente acima da média na região, o que deve manter bons níveis nos reservatórios.
“O período seco deste ano não foi tão intenso no Subsistema SE-CO e herdamos do último período úmido reservatórios bem cheios. Ao longo da primavera deve chover dentro da normalidade ou um pouco acima da média no Subsistema. No Sul, a previsão é de chuva bem acima do normal”, diz Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus.
Chuvas atingem sistemas de abastecimento
A influência do El Niño também deve aparecer na distribuição das chuvas ao longo da primavera. Em outubro e em novembro, as precipitações mais fortes tendem a permanecer entre o Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul, mas também devem se espalhar pelas demais áreas do Sudeste e Centro-Oeste e pela porção oeste da Amazônia. Em dezembro, o fenômeno mantém condições para chuvas e ventos fortes no Sul e nas áreas mais ao sul do Sudeste e do Centro-Oeste.
O cenário é relevante para áreas que concentram rios e reservatórios. Em São Paulo, a previsão de chuva regular afasta o risco para o Sistema Cantareira. Em Minas Gerais, são esperadas chuvas frequentes e acima da normalidade no centro-sul do Estado, incluindo a Grande Belo Horizonte, região importante para grandes rios e reservatórios que dependem dessas precipitações.
Como o El Niño vai afetar temperaturas e ventos
O El Niño também pode influenciar as temperaturas durante a primavera. A estação terá períodos de temperaturas elevadas de Norte a Sul, mas as ondas de calor mais fortes e duradouras devem ficar concentradas no Norte e no Nordeste. No Sudeste e no Centro-Oeste, o calor tende a ficar acima do normal, porém com ondas de calor menos frequentes e mais curtas. Alguns dias frios ainda podem ocorrer no centro-sul do País.
A previsão aponta ainda uma temporada de ventos acima da normalidade, com possibilidade de vendavais no centro-sul do País, o que exige atenção para a infraestrutura elétrica. Para a geração eólica, porém, a perspectiva é favorável, com uma safra de ventos positiva.
Apesar do cenário favorável para os reservatórios, a intensidade prevista para o El Niño e as temperaturas elevadas exigem atenção do setor elétrico. “Estamos diante dos efeitos de um El Niño muito forte atuando em um planeta que já apresenta temperaturas excepcionalmente elevadas. É uma combinação ainda sem precedentes recentes e que exige acompanhamento constante dos possíveis impactos sobre o setor elétrico e a disponibilidade dos recursos energéticos do país”, conclui Alexandre Nascimento.


