AMC quer polos de refino de minerais críticos no Brasil

Entidade que representa setor de minerais críticos estima potencial de R$ 60 bilhões em investimentos, mas há questões que ainda precisam ser resolvidas

Por Redação

em 15 de Outubro de 2026

A Associação de Minerais Críticos (AMC) apresentou as dez propostas para os próximos governos estaduais e federal durante evento realizado no dia 30 de setembro de 2026 em São Paulo. A entidade defende a criação de polos de refino de minerais críticos no Brasil e uma maior discussão sobre agregação de valor, que seja acompanhada de avaliações técnicas sobre quais cadeias e projetos podem avançar no País, considerando competitividade, mercado e condições de implantação.

Em painel realizado durante o evento, a AMC apontou que suas associadas têm uma estimativa de investimentos potenciais da ordem de R$ 60 bilhões, mas há condições para que esses recursos avancem da intenção de investimento para a implantação de empreendimentos. Marcelo Carvalho, diretor executivo da Meteoric Resources, destacou três condicionantes: garantias para acesso a financiamento, previsibilidade no licenciamento ambiental e incentivos à industrialização.

Segundo a perspectiva empresarial apresentada, companhias sem produção enfrentam dificuldades para oferecer as garantias exigidas pelos financiadores. Por isso, os contratos de compra futura e a participação de instituições públicas podem ter papel decisivo na estruturação financeira.

O executivo também chamou atenção para a frequência das operações de captação de capital nas empresas de pesquisa e desenvolvimento mineral. A regulamentação, nessa avaliação, precisa reconhecer as diferenças entre aportes financeiros, contratos comerciais e operações com implicações estratégicas, além de distinguir as fases dos projetos.

Governo explica onde pode atuar pelo setor

Rodrigo Fonseca, secretário adjunto IV da Casa Civil, aponta que o governo federal pode atuar em três frentes para incentivar o crescimento do setor: regulamentação, fomento e fortalecimento institucional. A Casa Civil apresentou a intenção de utilizar informações de empresas e órgãos públicos para construir uma inteligência setorial, articulando instrumentos de pesquisa, financiamento e desenvolvimento industrial.

Já Pedro Guerra, chefe de gabinete da Vice-presidência da República, relacionou os minerais críticos às missões da Nova Indústria Brasil e às demandas de setores como energia, infraestrutura, transformação digital e defesa. Defendeu análises proporcionais às características de cada operação e destacou as possibilidades de integração produtiva com parceiros internacionais.

O painel apontou que a industrialização depende da coordenação entre as duas pontas da cadeia: a oferta mineral e a demanda industrial. O avanço no processamento requer compradores, tecnologia, incentivos e parceiros especializados, sem atribuir exclusivamente às mineradoras a responsabilidade por chegar ao produto final.

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AMC fecha parceria de compartilhamento de dados com SGB

O evento ainda marcou a assinatura de um protocolo de intenções entre a AMC e o Serviço Geológico do Brasil (SGB), voltado à cooperação e ao compartilhamento de conhecimento. A assinatura do protocolo de intenções entre a AMC e o SGB contou com Frederico Bedran, Vilmar Medeiros Simões, Marcelo Carvalho, vice-presidente do Conselho de Administração da AMC, e Rodrigo Fonseca, da Casa Civil.

O instrumento foi apresentado como uma etapa anterior a um acordo de cooperação técnica e como uma oportunidade para aproximar o conhecimento produzido pelo serviço geológico das demandas das empresas. Entre as frentes mencionadas estão o compartilhamento de dados geológicos, interpretações, tecnologias e iniciativas de inovação para minerais críticos e estratégicos.

Marcelo Carvalho relacionou a parceria ao compromisso da associação com o rigor técnico na interlocução com o governo. Também destacou o perfil de boa parte das associadas: empresas de menor porte, frequentemente em fase pré-operacional, que dependem de investidores, contratos de compra futura e mecanismos de compartilhamento de risco para financiar seus projetos.

Na ocasião, a AMC informou ter passado de nove para 35 empresas associadas em menos de um ano. A expansão foi apresentada como resultado da busca por uma representação coletiva para desafios que antes eram levados individualmente pelas companhias ao poder público.

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