Como melhorar a mobilidade urbana nas grandes cidades

Crescimento populacional e expansão de desordenada de centros urbanos força metrópoles a buscarem formas de melhorarem a mobilidade urbana

Por Redação

em 4 de Agosto de 2025
Ciclovia da Avenida Paulista facilita a mobilidade urbana na cidade de São Paulo.Image

Ciclovia da Avenida Paulista, em São Paulo.



Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O crescimento populacional, aliado à expansão desordenada dos centros urbanos, tem gerado congestionamentos cada vez mais frequentes, poluição do ar e sobrecarga nos sistemas de transporte público de grandes e médias cidades. Esses fatores não apenas comprometem a qualidade de vida da população, mas também afetam a eficiência econômica e a sustentabilidade ambiental. Diante desse cenário, buscar soluções inovadoras para melhorar a mobilidade urbana se tornou urgente e necessário.

As cidades que desejam evoluir de forma inteligente precisam investir em infraestrutura e planejamento urbano integrado que otimizem o deslocamento das pessoas. Isso inclui a ampliação de modais distintos, que vão desde BRTs ( Bus Rapid Transit, ou Transporte Rápido por Ônibus, na sigla em inglês) e VLTs (veículo leve sobre trilhos) até ciclovias. A tecnologia também não pode ficar de fora, já que é preciso usar os dados de forma inteligente para gerir o tráfego em tempo real, além de promover o uso de aplicativos.

O que é mobilidade urbana e por que ela é importante?

A mobilidade urbana é a capacidade de deslocamento de pessoas e bens dentro do espaço urbano, utilizando diferentes meios de transporte — como carros, ônibus, metrô, bicicletas e até caminhadas — de forma eficiente, segura e acessível. Ela está diretamente ligada ao planejamento urbano e à infraestrutura disponível, influenciando não apenas o tempo de deslocamento, mas também a qualidade de vida, o meio ambiente e a economia das cidades.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a mobilidade urbana deve ser compreendida como um direito social porque garante o acesso da população aos serviços básicos (como saúde, educação e trabalho), promovendo inclusão e justiça social. Não é por menos que existe a Lei nº 12.587/2012 que instituiu o Plano Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), a fim de garantir o direito do cidadão brasileiro.

Entre as diretrizes dessa lei, estão:

  • Integrar os diferentes modos de transporte e melhorar a acessibilidade;
  • Priorizar os modos de transporte coletivo e não motorizado;
  • Promover o desenvolvimento sustentável e a equidade no acesso;
  • Mitigar os custos ambientais, sociais e econômicos dos deslocamentos.

Os objetivos do PNMU são reduzir as desigualdades e promover inclusão social; incentivar o uso de meios sustentáveis de transporte; e melhorar a eficiência e a sustentabilidade da circulação urbana. Por isso, a prioridade são os serviços de transporte público coletivo têm prioridade sobre os transportes individuais motorizados.

Para promover o PNMU, o Artigo 41 da Lei 12.587/2012 obriga que municípios com mais de 20 mil habitantes ou integrantes de regiões metropolitanas devem elaborar um Plano de Mobilidade Urbana integrado ao plano diretor. Sem esse plano, o município fica impedido de receber recursos federais destinados à mobilidade.

Principais soluções para promover a mobilidade urbana

Bus Rapid Transit (BRT)

O BRT é um sistema de transporte coletivo de alta capacidade que combina a eficiência e velocidade de um metrô leve com a flexibilidade e custo reduzido de um ônibus. Seus veículos circulam em faixas exclusivas, com paradas especiais e sistemas de pagamento antecipado, o que reduz atrasos e aumenta a velocidade comercial do corredor. A depender do projeto adotado, um sistema de BRT pode ser até 20 vezes mais barato que a construção de uma linha de metrô. Um exemplo de sucesso é o BRT de Curitiba (PR), que atende uma média diária de quase 1,1 milhão de passageiros.

Veículo Leve sobre Trilhos (VLT)

O VLT é um modal de transporte sobre trilhos, de baixa altura e menor porte que um trem convencional, ideal para áreas centrais de grande densidade. Em geral, opera em via própria, com integração de estações e conexão a outros modais e sua principal vantagem é conectar bairros centrais e regionais com maior conforto. O VLT Carioca, inaugurado na cidade do Rio de Janeiro em 2016, transporta cerca de 80 mil passageiros por dia. Desde que entrou em operação para os Jogos Olímpicos de 2016, ele melhorou o fluxo de pedestres e o turismo na região revitalizada do município, além de integrar-se a ônibus e barcas.

Ciclovias e bicicletas compartilhadas

Os sistemas de compartilhamento de bicicletas (bike sharing), junto com ciclovias, podem ajudar pessoas a atravessarem trajetos curtos e resolver o problema da “última milha”, aquele trecho final entre estação e destino que muitos fazem a pé. Ao disponibilizar bicicletas em pontos distribuídos pela cidade, viagens curtas são realizadas mais rapidamente e é possível promover a intermodalidade. Em Niterói (RJ), por exemplo, há um sistema gratuito de compartilhamento de bicicletas, o NitBike, que realiza 3,1 mil viagens por dia.

Apps de mobilidade

Os apps de mobilidade reúnem em uma única plataforma diferentes modais — carros compartilhados, mototáxis, patinetes e bicicletas elétricas — com pagamento e roteirização integrados. Eles usam algoritmos para otimizar rotas e demandas em tempo real também para atender a demanda de última milha ou fazer um trajeto inteiro de forma mais confortável. Estudos mostram que a chegada do Uber em capitais brasileiras levou a uma redução de até 17% em fatalidades de trânsito e 10% em internações relacionadas a acidentes, atribuída à diminuição do consumo de álcool por motoristas e à opção por transportes mais seguros.

Planejamento integrado entre transporte e habitação

Na maioria das cidades brasileiras, as populações de baixa renda acabam morando em regiões periféricas, afastadas dos centros econômicos e mal servidas por transporte público. Isso gera um ciclo de exclusão urbana: quanto mais longe e desconectada é a moradia, mais tempo e dinheiro o cidadão gasta para se locomover, o que reduz sua qualidade de vida e suas oportunidades de emprego.

Um bom planejamento integrado entre transporte e habitação precisa incentivar a construção de moradias em regiões já bem servidas por transporte, como corredores de ônibus, estações de metrô ou terminais intermodais, bem como levar transporte de qualidade até onde a moradia é necessária. Outra questão importante é evitar ocupações urbanas desordenadas em áreas de difícil acesso ou ambientalmente frágeis.

Por isso que o PNMU privilegia municípios que desenvolvem um Plano de Mobilidade Urbana integrado ao plano diretor — instrumento legal que orienta o desenvolvimento urbano de um município. Ainda em 2014, a cidade de São Paulo aprovou a Lei Municipal nº 16.050/2014 que incluiu instrumentos para democratizar o acesso à moradia ao longo de eixos de transporte de média e alta capacidade.

Entre as medidas, ampliou-se a delimitação de ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social) nas áreas próximas a corredores de ônibus BRT, estações de metrô e de trens, com parâmetros urbanísticos que incentivam a construção de habitação social integrada a calçadas, ciclovias e pontos de ônibus. Os lançamentos de unidades residenciais nestes locais passaram de 10% do total, em 2014, para 33%, em 2018, segundo matéria da Folha de São Paulo. Esse movimento, no entanto, foi mais forte em áreas mais ricas, ainda que tenha ocorrido nos centros de regiões periféricas da cidade.

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