Demanda global por eletricidade deve crescer 3,6% ao ano até 2030, aponta relatório

Relatório também aponta que falhas mecânicas e elétricas representam mais de 70% dos sinistros no setor e mais de 80% do impacto financeiro anual

Por Redação

em 6 de Agosto de 2026

Segundo o relatório “Understanding Power Generation: Loss Trends and Predictive Analytics”, realizado pela FM, seguradora especializada em bens patrimoniais e prevenção de perdas, a demanda global de eletricidade deve crescer 3,6% ao ano entre 2026 e 2030. Baseado em décadas de dados de sinistros de clientes da FM em geração de energia em diferentes mercados, o estudo prevê impactos importantes vindos da eletrificação da economia, do avanço dos data centers e do crescimento de novas fontes de geração.

A previsão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é de que a carga do Sistema Interligado Nacional deve crescer, em média, 4,0% ao ano no período, chegando a aproximadamente 99 GW em 2030. A projeção considera, entre outros fatores, a expansão dos data centers, a micro e minigeração distribuída e a integração de Roraima ao Subsistema Norte.

Qual o desafio para os próximos anos?

O relatório da FM destaca que a capacidade de resposta das geradoras enfrenta um gargalo físico e logístico relevante: os prazos de entrega para substituição de grandes transformadores de energia podem chegar a dois ou três anos, enquanto os horizontes de substituição para turbinas a gás variam de três a sete anos. Mesmo componentes menores, como buchas condensivas acima de 62 kV, já podem levar mais de um ano para serem obtidas.

A principal ressalva da FM é por conta das perdas de energia. As avarias mecânicas e elétricas são as principais causadoras de perdas em geração de energia, representando mais de 70% de todos os sinistros analisados pela FM e mais de 80% do impacto financeiro total anual. As turbinas a gás aparecem como a maior fonte isolada de danos à propriedade em todo o setor.

Turbinas a gás e transformadores também estão entre os principais responsáveis por perdas associadas à interrupção de negócios, em grande parte devido às restrições globais na cadeia de suprimentos e aos longos prazos de reposição desses equipamentos críticos.

Dados de segurados sustentam preocupação

No período de dez anos, entre 2016 e 2025, o setor acumulou US$ 4,6 bilhões em perdas brutas entre clientes da FM, sendo US$ 2,6 bilhões em danos materiais e US$ 2 bilhões em lucros cessantes. A quebra de maquinário respondeu por 44% das perdas, seguida por falhas elétricas, com 28%.

Somente entre 2021 e 2025, os clientes da FM registraram 427 sinistros em geração de energia, totalizando aproximadamente US$ 3,7 bilhões em perdas brutas. Turbinas e transformadores representaram, de forma consistente, algumas das fontes de perda mais graves e dispendiosas.

A FM defende que, quando ocorre uma perda relevante nesse segmento, os impactos podem ir muito além da planta afetada, alcançando cadeias de produção, disponibilidade de energia e comunidades. O cenário é mais crítico com o aumento da demanda e a maior complexidade operacional ocasionada pelas diferentes formas de geração de energia.

Prevenção como estratégia de resiliência

O relatório também reforça o impacto da prevenção de perdas na redução da severidade dos sinistros. Segundo a FM, mais de um quarto das perdas de seus clientes, aproximadamente 27%, tem origem em apenas 2% dos locais previamente identificados como mais propensos a sofrer um sinistro.

Entre as principais causas de perdas identificadas pelo relatório estão:

  • Incêndios originados por falhas elétricas, mecânicas ou de trabalhos a quente, como corte e solda.
  • Sobrecarga em transformadores, painéis elétricos e sistemas de resfriamento, especialmente em operações com cargas concentradas de alta densidade e perfis de carga mais voláteis, como data centers.
  • Interrupções de negócios decorrentes da dependência de equipamentos críticos únicos, cuja substituição pode levar anos em razão dos gargalos da cadeia global de suprimentos.

    Os assuntos mais relevantes diretamente no seu e-mail

    Increva-se na nossa newsletter e receba nossos conteúdos semanalemnte

    Aceito receber a newsletter por email