Especialistas defendem uso do concreto com fibras no pavimento de rodovias

Painel “Pavimentos de Concreto Reforçados com Fibras: solução econômica e sustentável para as vias do futuro” mostrou pontos positivos de solução ainda pouco testada no Brasil.

Por João Monteiro

em 30 de Setembro de 2025
Por Mariordo (Mario Roberto Durán Ortiz).

Há uma mudança de paradigma para a pavimentação e agora as empresas buscam o que realmente importa: custo-benefício no desempenho do pavimento. A afirmação é de Ananias Junior Batista da Silveira, consultor de Engenharia no Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER-SP). Ele participou do painel “Pavimentos de Concreto Reforçados com Fibras: solução econômica e sustentável para as vias do futuro”, realizado semana passada na Paving Expo 2025.

O painel foi uma oportunidade para se falar sobre o uso de concreto reforçado com fibras na pavimentação, uma solução para reduzir a espessura do pavimento e aumentar sua resistência a fissuras. “As simulações que temos feito mostram que o desempenho é bom”, afirmou Silveira. “A solução cobre a demanda de praticamente qualquer rodovia do País sem causar depreciação e em trechos com tráfego mais forte o custo cai consideravelmente.”

Carlos Bassamino, diretor de Engenharia na R9Pro Engenharia e Consultoria, completa lembrando que a fibra dá mais estrutura ao pavimento. “Ela consegue fazer a transferência de tensão de carga, impedindo a fissura de abrir”, explica. Além disso, a fibra consegue aumentar a área de distribuição da carga sobre o pavimento.

Uso do concreto reforçado com fibras no BRT de Brasília

O sistema de Bus Rapid Transit (BRT) de Brasília (DF) passou por desafios na implementação do pavimento de concreto, segundo Bruno Almeida, engenheiro da Secretaria de Estado de Obras e Infraestrutura do Distrito Federal (SODF). Ele explicou que a técnica de whitetopping demorava demais para a cura do concreto, o que causava desvios inconvenientes.

A opção pelo uso do concreto reforçado com fibra mudou o cenário no Trecho 6, onde foi adotado. Além de trazer os benefícios já discutidos pelos outros painelistas, Almeida aponta que a cura mais rápida ajudou no processo de pavimentação da pista, apesar de ainda haver a dificuldade do espaço físico limitado. “Ainda faltam experiências no Brasil com fibra, mas testes mostraram benefícios”, finalizou.

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