Há uma mudança de paradigma para a pavimentação e agora as empresas buscam o que realmente importa: custo-benefício no desempenho do pavimento. A afirmação é de Ananias Junior Batista da Silveira, consultor de Engenharia no Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER-SP). Ele participou do painel “Pavimentos de Concreto Reforçados com Fibras: solução econômica e sustentável para as vias do futuro”, realizado semana passada na Paving Expo 2025.
O painel foi uma oportunidade para se falar sobre o uso de concreto reforçado com fibras na pavimentação, uma solução para reduzir a espessura do pavimento e aumentar sua resistência a fissuras. “As simulações que temos feito mostram que o desempenho é bom”, afirmou Silveira. “A solução cobre a demanda de praticamente qualquer rodovia do País sem causar depreciação e em trechos com tráfego mais forte o custo cai consideravelmente.”
Carlos Bassamino, diretor de Engenharia na R9Pro Engenharia e Consultoria, completa lembrando que a fibra dá mais estrutura ao pavimento. “Ela consegue fazer a transferência de tensão de carga, impedindo a fissura de abrir”, explica. Além disso, a fibra consegue aumentar a área de distribuição da carga sobre o pavimento.
Uso do concreto reforçado com fibras no BRT de Brasília
O sistema de Bus Rapid Transit (BRT) de Brasília (DF) passou por desafios na implementação do pavimento de concreto, segundo Bruno Almeida, engenheiro da Secretaria de Estado de Obras e Infraestrutura do Distrito Federal (SODF). Ele explicou que a técnica de whitetopping demorava demais para a cura do concreto, o que causava desvios inconvenientes.
A opção pelo uso do concreto reforçado com fibra mudou o cenário no Trecho 6, onde foi adotado. Além de trazer os benefícios já discutidos pelos outros painelistas, Almeida aponta que a cura mais rápida ajudou no processo de pavimentação da pista, apesar de ainda haver a dificuldade do espaço físico limitado. “Ainda faltam experiências no Brasil com fibra, mas testes mostraram benefícios”, finalizou.


