Light tem lucro líquido de R$ 1,6 bilhão em ano de recuperação judicial

O resultado contempla os efeitos da reestruturação da dívida da Light, que chegou a R$ 11 bilhões

Por Redação

em 1 de Abril de 2025

O Grupo Light, responsável pela distribuição de energia em mais de 30 cidades no estado do Rio de Janeiro, teve lucro líquido de R$ 1,6 bilhão em 2024, ante R$ 255 milhões registrados no mesmo intervalo de 2023. O resultado do quarto trimestre contempla os efeitos da reestruturação da dívida da companhia, após a aprovação do plano de recuperação judicial por 99,6% dos credores presentes na assembleia em maio. O acordo representou uma redução de 50% da dívida líquida da distribuidora e também alongou os prazos de vencimento de dois anos e meio para oito anos em média.

O diretor financeiro da Light, Rodrigo Tostes, diz que a reestruturação financeira, juntamente com o foco no caixa, foram fundamentais para reduzir as pressões de curto prazo. A companhia encerrou dezembro com R$ 3,1 bilhões em caixa, uma alta de 47% comparada ao mesmo período do ano anterior.

A arrecadação aumentou 1,1 ponto percentual e ficou em 98,7% em 12 meses – o resultado foi beneficiado pelo crescimento da taxa de arrecadação no segmento varejo. A receita líquida da companhia subiu 4,7%, para R$ 15 bilhões em 2024.

O índice DEC, que mede a duração de eventuais interrupções de energia, ficou em 6,74 horas, ou 4,5% inferior ao limite regulatório. Essa foi a melhor performance da série histórica para o 4º trimestre. O FEC, que mede a frequência de interrupções, foi de 3,04x; ou 36% abaixo do previsto pela regulação.

Reestruturação da dívida da Light

Em 2024, a Light buscou uma reestruturação de suas dívidas, que totalizavam R$ 11 bilhões. Essa situação comprometeu a capacidade financeira da companhia e o resultado foi apelar para um plano de recuperação judicial, aprovado em maio de 2024 por mais de 99% dos credores, incluindo debenturistas, bondholders e bancos.

Leia mais

O plano previa uma capitalização de R$ 3,2 bilhões, dos quais R$ 1 bilhão seria aportado pelos acionistas de referência e R$ 2,2 bilhões resultariam da conversão de parte da dívida em novas ações. Além disso, o plano contemplava o pagamento integral de credores com créditos de até R$ 30 mil.​

Com a aprovação do plano e a posterior recuperação da empresa, a Light já encaminhou ao Ministério de Minas e Energia e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ofício confirmando seu desejo de renovar a concessão.