A indústria mineral respondeu por US$ 20,3 bilhões do saldo da balança comercial brasileira no primeiro semestre de 2026, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O volume é quase metade do total (48%), sendo que só o minério de ferro respondeu por 53,6% das exportações minerais brasileiras.
O saldo mineral cresceu 25,36% em relação ao primeiro semestre de 2025 e o superávit comercial brasileiro alcançou US$ 42,36 bilhões (+ de 40% de aumento). As exportações minerais somaram US$ 25,1 bilhões, alta de 24,1% em relação ao mesmo período de 2025, e alcançaram 196,2 milhões de toneladas, avanço de 2,4%. As importações totalizaram US$ 4,8 bilhões, crescimento de 18,9%, e 20,9 milhões de toneladas, aumento de 6,7%.
Os destaques do setor de mineração no primeiro semestre são:
- As vendas externas de minério de ferro alcançaram US$ 13,43 bilhões, crescimento de 5,2% em relação ao mesmo período de 2025. O volume exportado aumentou 2,4% e chegou a 189,4 milhões de toneladas.
- O faturamento do minério de ferro apresentou queda de 3,1% no semestre, para R$ 71,2 bilhões. A substância ainda concentrou 47,2% da receita total da indústria mineral.
- As vendas externas de ouro alcançaram US$ 4,6 bilhões, crescimento de 69,3% em relação ao primeiro semestre de 2025. O produto respondeu por 18,3% das exportações minerais em valor.
- As exportações de cobre também avançaram, com alta de 83,8%, para US$ 3,87 bilhões.
- As vendas externas de nióbio somaram US$ 1,4 bilhão, crescimento de 13,6%.
Imposto seletivo acende alerta na Ibram
O Ibram diz que o resultado da balança comercial reforça sua preocupação com a iminente regulamentação do imposto seletivo, que poderá elevar os custos das exportações de minério de ferro e reduzir a competitividade do Brasil no mercado internacional. A regulamentação do tributo, por decreto do Poder Executivo, pode estabelecer até um teto de 0,25%, para a alíquota que será aplicada ao setor.
O presidente da entidade, Pablo Cesário, entende que o imposto seletivo para o setor é, na prática, um imposto sobre a exportação de minério de ferro. “Não existe nenhum imposto seletivo no mundo que inclua a mineração, já que ele tem outra destinação e não tem nada a ver com minério. Se este novo tributo vier a incidir sobre o setor, teremos o real risco de reduzir a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.”
O Ibram considera que o setor brasileiro já enfrenta uma desvantagem logística diante da Austrália, principal concorrente nesse mercado, por este país estar consideravelmente mais perto da China. Uma nova cobrança tributária pode reduzir margens, afetar investimentos e retirar operações brasileiras de mercados disputados por produtores internacionais.


