As expectativas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) com o pavimento de concreto não foram bem atendidas em alguns projetos, como declarou Luiz Guilherme Rodrigues de Mello, diretor de Planejamento e Pesquisa do órgão, durante o 9º Congresso Brasileiro do Cimento (CBCi). Em palestra realizada na quarta-feira (2/7), ele comentou que algumas experiências não atenderam as expectativas de durabilidade do pavimento, não trazendo o custo-benefício esperado.
Segundo ele, isso foi resultado da falta de experiência no uso do pavimento de concreto na época. Ele usou como exemplo o projeto de duplicação de trecho da BR-101 na Paraíba, que foi inaugurado em 2008 e mostrou uma durabilidade menor do que o esperado.
“Alguns projetos tiveram problemas de prazo de vida útil, com efeitos negativos precoces. Entendemos que são vários fatores, como um projeto executivo mal feito, excesso de carga, aspectos que não estão relacionados diretamente à solução”, disse Mello.
Para ele, isso foi parte da curva de aprendizado e agora as expectativas para os novos projetos são melhores. “A implementação do concreto é mais complicada que o asfalto. Exige máquinas específicas com certo cuidado para que se consiga fazer um produto de boa qualidade. O Dnit viveu um período de aprendizado nos últimos anos, mas agora já temos muito empresas com maquinários e pessoas especializadas.”
Investimentos do Dnit em pavimento de concreto aumentaram
Mesmo com projetos não alcançando as expectativas, o Dnit não desistiu do pavimento de concreto. O ano passado bateu recorde de projetos com esse produto, ultrapassando os 2 milhões de m³ de concreto. Para se ter uma noção, o maior volume já utilizado antes foi cerca de 700 mil m³, em 2014.
Ainda em 2024, o Dnit conseguiu elaborar cerca de 2,5 mil quilômetros de projetos usando o pavimento rígido, atingindo a marca de 4,5% do total. A perspectiva de Mello é conseguir chegar a 10% nos próximos anos. Veja abaixo alguns dos projetos já anunciados:


Pavimento rígido é mais viável
O aumento do investimento é pela viabilidade da solução. Em condições ideias, o metro cúbico do pavimento de concreto custa R$ 700, enquanto o asfalto (CAUQp) é mais que o dobro (R$ 1.600,00/m³). Essa diferença se dá, claro, pela durabilidade do concreto, que é de 20 anos, enquanto a massa asfáltica é de 10 anos.
O diretor do Dnit ressalta que é preciso balancear o preço de projetos do tipo e que há uma necessidade de garantir a técnica certa durante a execução de pavimentos de concretos para se evitar erros passados. Ainda segundo ele, é possível que o Departamento adote medidas para bonificar projetos que ultrapassem o padrão de qualidade, assim como penalizar aqueles que não tiveram sucesso.


