Pavimento intertravado surge como forma de combater calor extremo

A solução pode minimizar em até 4°C a temperatura do ambiente e reduzir em até 17°C a temperatura da superfície das vias

Por Redação

em 27 de Fevereiro de 2025

Para mitigar o calor extremo e seus impactos no ambiente urbano, o pavimento intertravado com blocos de concreto tem ganhado espaço nas principais vias do Nordeste. A solução pode minimizar em até 4°C a temperatura do ambiente e reduzir em até 17°C a temperatura da superfície das vias. Fortaleza (CE) foi vanguarda na disseminação da solução há quatro anos, tendo executado desde então mais de 300 quilômetros de pavimento intertravado.

O município de Sobral, também no Ceará, é outro exemplo notório do uso do pavimento intertravado para reurbanização das ruas do centro e praças da cidade, além da pavimentação de vias nos bairros. As iniciativas foram seguidas pelo estado que, por meio da Secretaria de Obras Públicas (SOP), tem promovido a ampliação do uso do pavimento intertravado, priorizando essa tecnologia em áreas urbanas também como forma de moderar a velocidade de tráfego e facilitar a manutenção das vias.

Atualmente, o Ceará já executou mais de 520 mil m² de pavimento intertravado em diversas rodovias estaduais, incluindo a CE-090, CE-010 e CE-060, além de incorporar a solução em projetos urbanos, como praças, estacionamentos, hospitais e universidades.

Outras cidades do Nordeste seguem exemplo

Em Pernambuco, a utilização da tecnologia foi consolidada na capital, Recife, por meio do programa Calçada Legal. Criada em 2017, a iniciativa requalifica vias urbanas com ações que incluem pavimentação, construção de rampas de acessibilidade, preservação de passeios históricos e paisagismo.

A iniciativa conta com um aporte de 80 milhões de reais da Prefeitura do Recife, com a expectativa de reurbanizar um total de dez lotes, que abrangem 134 km de ruas e avenidas, além de 56.300 m² de largos. Desde o início do programa, 77 km de vias já foram requalificados, além de 12 km de calçadas. As intervenções priorizam áreas com grande fluxo de pedestres ou ligações entre corredores de transporte público.

Os pisos intertravados, ou pavimentos de blocos de concreto, são uma alternativa eficiente para pavimentação e também vêm sendo usados em diversas cidades da Bahia, como Juazeiro, Vitória da Conquista e Salvador. Na capital da Paraíba, a opção foi utilizada pela Prefeitura de João Pessoa em mais de 516 mil m² de calçadas, além de seis corredores de BRT que usaram pavimento de concreto.

Por que o pavimento intertravado reduz o calor?

Uma das principais razões para esse efeito térmico mais ameno está na sua permeabilidade. Diferente de superfícies totalmente seladas, como o asfalto, o pavimento intertravado permite que a água da chuva se infiltre no solo, reduzindo o acúmulo de calor e minimizando o efeito de ilha de calor urbana.

Além disso, o material e a coloração dos blocos intertravados influenciam diretamente na absorção e reflexão do calor. Enquanto o asfalto absorve grande parte da radiação solar e mantém a temperatura elevada por mais tempo, os blocos intertravados, geralmente em tons mais claros, refletem melhor a luz solar, resultando em superfícies menos quentes ao longo do dia.

Outro fator relevante é a presença de espaços vazados entre os blocos, que facilitam a circulação do ar e diminuem a retenção de calor. Esses espaços também contribuem para a evaporação da umidade armazenada no solo, proporcionando um efeito de resfriamento natural. Como resultado, durante a noite, o pavimento intertravado libera menos calor para o ambiente, ao contrário do asfalto, que continua irradiando calor acumulado ao longo do dia.