1,1 bi não tem energia elétrica, mostra estudo

Da Redação – 16.11.2018 –

Um estudo realizado pela consultoria A.T Kearney mapeou que 1,1 bilhão de pessoas não tinham acesso à energia elétrica em 2016. Isso representava 14% da população mundial. Quando o assunto é combustíveis limpos, a lacuna é ainda maior, ficando 2,8 bilhões de pessoas (37% da população) com acesso carente a eles.

Para as Nações Unidas, a meta é universalizar o fornecimento de energia elétrica até  2030, algo que parece distante perto dos avanços até o momento.

De acordo com o relatório da A.T Kearney, o acesso à eletricidade impacta diretamente na desigualdade educacional, principalmente nos países subdesenvolvidos. “O Brasil é um exemplo bastante importante dessa influência”, diz François Santos, sócio da A.T. Kearney Brasil e especializado no mercado de infraestrutura. “As crianças com acesso à energia elétrica têm melhor desempenho escolar do que aquelas que carecem desse item”, salienta.

À medida que a população residente em áreas sem eletricidade cita a educação como um benefício trazido com a energia elétrica, diz o executivo da A.T. Kearney, podemos dizer que o acesso à eletricidade interfere diretamente na tendência dos alunos a repetir os anos escolares. “As crianças precisam da energia elétrica para estudar e fazer o dever de casa. Se considerarmos que, entre as crianças de 3 a 12 anos de idade, uma hora de estudo diário reduz a probabilidade de repetência em 1,6%, então aqueles com acesso à eletricidade tendem a ir melhor e repetir menos anos na escola.”

Combustíveis limpos
A análise da A.T. Kearney ainda indica que a falta de acesso à energia afeta principalmente as economias de baixa renda e as áreas rurais. Além disso, revela que, embora a eletricidade esteja avançando, o desenvolvimento de combustíveis limpos está estagnado. Entre 2000 e 2016, o número de pessoas sem acesso a eletricidade caiu cerca de 35%, de 1,7 bilhão para 1,1 bilhão. Nesse período, cerca de 1,1 bilhão de pessoas passaram a contar com eletricidade, excedendo o crescimento populacional no mundo, que foi de 600 milhões de pessoas. A Índia registrou os mais elevados índices, com uma média de mais de 33 milhões de pessoas ganhando acesso a eletricidade por ano.

Em geral, diz o estudo, o acesso a eletricidade e combustíveis limpos varia de acordo com a riqueza econômica média de cada país. Nos países de baixa renda, o percentual da população com acesso a eletricidade varia de 10% a 40%, enquanto a variação nos países de média renda fica entre 40% e 80%. Apenas entre 5% e 30% das pessoas nos países de baixa renda possuem acesso a combustíveis limpos, comparado a entre 30% e 50% nas nações com renda média a baixa.

Graças às políticas e investimentos (da ordem de US$ 334 bilhões), a Agência Internacional de Energia (IEA) estima uma redução global na população sem acesso a eletricidade. A estimativa é que ela caia do 1,1 bilhão registrado em 2016 para 700 milhões em 2030. Entre 2030 e 2040, a redução deve desacelerar, a menos que novas medidas sejam tomadas.

O cenário dos combustíveis não-sólidos é ainda pior. A população global sem acesso a combustíveis modernos deve cair apenas 7% entre 2016 (2,8 bilhões de pessoas) e 2030 (2,6 bilhões de pessoas). Os investimentos precisariam ser quadruplicados globalmente para garantir acesso universal a combustíveis limpos, com cerca de 30% desses gastos alocados na África.

Energias eólica, solar e hidrelétrica
O acesso global a eletricidade ganhou velocidade nas últimas duas décadas, com a crescente adoção de carvão e água como fontes de energia. Uma ampla gama de opções de geração de energia pode ajudar a erradicar a carência e a falta de acesso à energia, desde pequenos dispositivos instalados localmente até soluções de utilities em grande escala. Todas as fontes de energias renováveis, incluindo hidrelétrica, eólica e painéis solares fotovoltaicos, oferecem aplicações escaláveis em alguns locais e com uma variedade de conexões de grid e capacidades de geração de energia. O estudo sugere que o aproveitamento do potencial local de fontes de energia renovável poderia acabar com a pobreza energética em países subdesenvolvidos.

Estas são apenas algumas das constatações do estudo compilado pelo A.T. Kearney Transition Institute. A íntegra do levantamento, com detalhes sobre políticas maturidade das tecnologias de combustíveis e regulamentações pode ser vista aqui

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