Rede de eletropostos no Brasil será predominantemente urbana e não de carga rápida

Nelson Valêncio – 18.06.2020 –

Avaliação é de Raphael Pintão, sócio e fundador da NeoCharge, empresa focada em soluções de abastecimento de carros elétricos.

Apesar de ser uma tendência mundial, a frota de carros elétricos ainda é tímida no Brasil. Os dados são incertos, mas acredita-se que existam entre 30 mil e 40 mil veículos híbridos, ou seja, que podem ser carregados pelo próprio sistema de frenagem e pela tomada. Já o universo de carros cuja bateria só pode ser carregada via tomada somaria entre 3 mil e 4 mil. Independente do tipo, trata-se de um universo que deve se movimentar basicamente nas cidades. A frota, mesmo que se expanda, poderá ser reabastecida em escritórios ao longo do dia ou na volta para casa (condomínios com sistemas de recarga).

Essa é a aposta do sócio-fundador da Neocharge, Raphael Pintão. Desde 2016, o executivo está focado em soluções para abastecimento de carros elétricos. Um passo importante da jornada, inclusive, está em andamento: a criação de uma rede de 500 pontos de abastecimento em parceria com uma grande montadora. “A ideia é fortalecer a infraestrutura de recarga de veículos elétricos, pois quando falamos em tomada estamos falando num sistema”, diz. No caso da montadora, Raphael lembra que serão soluções intermediárias entre o sistema portátil, que pode ser levado no carro para qualquer lugar, e os de carga ultrarrápida, instalados ao longo de rodovias.

A diferença entre as soluções não se restringe ao tipo de aparato: ela tem a ver com o investimento na infraestrutura. Hoje, os eletropostos em estradas, como o instalado pela Itaipu Binancional, no Paraná, são iniciativas para de pesquisa e desenvolvimento incentivados pela Aneel, a agência reguladora do setor de energia elétrica. Empreendimentos comerciais ao longo de estradas devem considerar um fator, segundo o executivo da NeoCharge: um aporte médio de R$ 200 mil a R$ 300 mil por estações de recarga. O valor tem a ver com a necessidade de carga rápida, em média, 15 minutos.

Já as estações de recarga em shopping centers, estacionamentos e condomínios, para ficarmos em três exemplos, exigem um aporte menor, por volta de 10% dos eletropostos de rodovias. O investimento faz sentido, pois a recarga será feita enquanto o veículo descansa nos estacionamentos ou nos condomínios, quando os motoristas voltam para casa. Como o universo de criação da infraestrutura ainda é novo, um dos diferenciais da NeoCharge foi se posicionar não só como fornecedora das estações, mas também como desenvolvedora de projetos e mesmo como operadora das estações nos clientes. Raphael lembra que o treinamento de técnicos para instalação dos sistemas é outra iniciativa da empresa para fortalecer o ecossistema.

Em termos de produtos, ele acredita que soluções portáteis de recarga são uma nova frente. Tratam-se de equipamentos mais potentes dos que vêm no pacote da compra dos carros elétricos e, que, portanto, podem acelerar a recarga. “São entre três e dez vezes mais rápidos”, informa o executivo.

O mercado de ônibus urbanos é outro universo de veículos elétricos que vem ganhando espaço, inclusive no Brasil. Segundo Raphael, há iniciativas consistentes como as de Curitiba e, em menor grau, a de Campinas. Nessa última fica a sede brasileira da BYD, multinacional chinesa que participa de projetos de grande envergadura na China. É o caso da cidade de Shenzen, onde roda uma frota de milhares de ônibus elétricos. “São veículos que gastam de 2 a 4 vezes menos do que os movidos a combustível comum e que tem em média 10 mil peças contra as 50 mil ou 60 mil dos convencionais”, conclui.

 

 

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