54% das conexões de Internet fixa no Brasil são em FTTH, somando 22,1 milhões de acessos

João Monteiro – 22.09.2021 – Crescimento da fibra óptica no País começou a ocorrer em 2015, a partir da entrada de pequenos provedores de Internet 

De acordo com uma pesquisa da consultoria Teleco, o Brasil contou com 22,1 milhões de acessos à banda larga fixa via fibra óptica no segundo trimestre de 2021. O número coloca o FTTH (fiber-to-the-home) na liderança da tecnologia de Internet fixa, com 54% das conexões no País. Os dados apontam que 92% da população brasileira já mora em municípios conectados por um backhaul de fibra óptica. O estudo foi apresentado durante o segundo dia do Painel Telebrasil, evento online promovido ontem (21/9) pela Conexis Brasil Digital. 

Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, apontou que esse crescimento da fibra óptica não é de hoje. Em 2019, esta tecnologia já havia ultrapassado o cabo metálico (DSL) e o coaxial como opção de conexão de clientes. Hoje, enquanto a fibra conta com 22,1 milhões de acessos, o DSl conta com 5,5 milhões e o coaxial com 9,4 milhões. 

Segundo ele, a diferença ocorreu principalmente pela migração do DSL para a fibra, à medida que novos provedores de Internet apareciam. “As provedoras de pequeno porte (PPP) começaram a oferecer fibra por volta de 2015 e, já em 2018, elas ultrapassaram as grandes operadoras na oferta desta tecnologia”, explica. 

Ele lembra que as operadoras tinham um custo muito grande para mudar sua infraestrutura de cabos metálicos para a fibra, e que esse investimento só começou a ser feito em 2019. Dessa forma, a capilaridade dos provedores se tornou maior que a destas grandes concorrentes. Hoje, quase 15 milhões dos acessos de fibra vêm de PPPs, representando 64% do total. 

Ainda há espaço para crescimento da Internet fixa

Júlio Sgarbi, gerente sênior para Vendas de Soluções Integradas da Huawei, acredita que foi uma combinação de maior maturidade, volume e competição entre os provedores de Internet que permitiu a expansão rápida do FTTH. Ele ainda acredita que a tecnologia pode aumentar ainda mais seu alcance, puxada principalmente por novas tecnologias. 

Nas casas, por exemplo, demandas de streaming em 4K e, no futuro, em 8K, vão precisar de ainda mais banda larga, aliada ao aumento de dispositivos conectados. Fora dos lares, ainda haverá os mercados corporativos e a indústria, que precisa de conectividade para se digitalizar. Por fim, ainda será necessário infraestrutura de fibra para conectar as antenas e permitir a chegada do 5G. 

Tude, da Teleco, ainda lembra que apenas 55% dos domicílios brasileiros têm acesso à banda larga, o que significa que há ainda um grande mercado para ser explorado. Para Luis Lima, vice-presidente da Algar, será necessária uma reorganização do mercado para levar fibra óptica para áreas pouco atendidas, o que poderá ser feito por meio de políticas públicas. “A melhor forma de atingir mercados é a partir da concorrência”, complementa. 

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Podcast

    Redação InfraDigital – 20.10.2021 – Pesquisa aponta que 88% dos bancos investiram em UX em 2019, de olho em novas experiências 

    O início da pandemia de covid-19 interrompeu a digitalização do mercado financeiro no Brasil, aumentando em 17% a circulação do dinheiro em espécie no País. O índice foi resultado da entrada do auxílio emergencial de R$ 600 (que chegava a R$ 1200 para famílias chefiadas por mães solo) e por pessoas que guardaram o dinheiro em casa por segurança. No entanto, a praticidade que os meios digitais de pagamento, como o Pix, trazem podem mudar essa realidade. 

    No último podcast da segunda temporada de “O Futuro do Dinheiro”, especialistas do mercado discutiram as mudanças que o setor financeiro tem passado. Fabiano Sabatini, especialista em IoT da Intel, lembrou da pesquisa Digital Banking Report, da consultoria Infosys, que aponta que 88% dos bancos aumentaram o investimento em tecnologia para gerar uma melhor experiência ao cliente. 

    Esse investimento se reflete, por exemplo, na adoção do open banking, como lembra Matheus Marcondes Neto, especialista da Diebold Nixdorf. Além de citar diversos exemplos de tecnologia, ele destacou a simplificação que isso geral ao segmento financeiro, permitindo que clientes possam integrar seus dados entre diferentes serviços bancários para obter melhores soluções. 

    Outro exemplo da digitalização é a integração entre os ambientes físicos e digitais, que já acontece hoje. Aplicativos de diferentes bancos já mostram onde o cliente pode encontrar caixas eletrônicos que atendem a marca e até começar o processo de saque pelo smartphone, como melhor explica Neto no episódio do podcast. 

    O desafio está não só em apresentar melhores experiências, mas também garantir a segurança nos processos sem que isso se torne um incômodo. Sabatini explica que, por isso, os caixas eletrônicos podem contar com tecnologia Intel para garantir a otimização da criptografia. Funciona de forma parecida com o WhatsApp: ele criptografa os dados do cliente ao sair da máquina de autoatendimento até entrar na rede do banco da pessoa. Segundo Neto, da Diebold Nixdorf, isso garante que o cartão não seja clonado, por exemplo. 

    Confira o episódio completo: