5G é a melhor política industrial para o Brasil, afirmam especialistas

Redação – 22.09.2021 – Expectativa é que conectividade permita que empresas desenvolvam mais casos de uso de tecnologias e partam para a Indústria 4.0 

De acordo com os painelistas que participaram de uma discussão sobre conectividade e produção no Painel Telebrasil, a implementação do 5G será a melhor política pública industrial que o Brasil pode ter. Os especialistas apontaram que a quinta geração da banda larga móvel será a base para o desenvolvimento tecnológico da indústria nacional. O painel foi promovido hoje (21/9), durante o segundo dia do evento online. 

Guilherme Spina, CEO da V2COM e da WEG, aponta que o 5G é um habilitador para a implementação de novas tecnologias. Ele comparou a rede como uma estrada, onde os carros seriam os novos casos de uso que poderão ser desenvolvidos e que vão permitir solucionar problemas de produção. 

Uma das promessas do 5G que ele cita é a simplicidade. Como ela provavelmente será a única rede para o funcionamento dos equipamentos de tecnologia operacional, dará ganho de escala para a indústria. Spina aposta ainda em redes privativas para gerar uma possibilidade de mais conexão, o que, junto com a necessidade de conectividade da indústria, podem ser vetores para baixar o custo do 5G e viabilizar sua implementação, possibilitando uma nova política industrial. 

Já Igor Calvet, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), acredita em um modelo misto entre rede pública e privativa do 5G, já que outros países têm adotado esse modelo. De qualquer forma, a perspectiva é que a nova tecnologia de conectividade revolucione o setor. Segundo ele, testes em ambiente fabril com o release 15 do 5G, realizados na WEG, mostraram que ele é uma opção melhor que as tecnologias de Wi-Fi industrial. 

Indústria tem medo de inovar

A expectativa de Calvet é que o 5G permita que a indústria brasileira se torne disruptiva. Segundo uma pesquisa recente da ABDI, feita com 400 empresas de médio e grande porte do setor, a tecnologia só é utilizada na camada de comunicação entre funcionários. 

Por exemplo, 86% das empresas usam ferramentas de videocolaboração e 75% usam a nuvem, no entanto, apenas 10% estão investindo em inteligência artificial e menos ainda utiliza big data ou impressão 3D. Mais da metade (52%) das empresas não sabem o retorno de investimento que a digitalização traz. “As empresas apontam o alto custo da tecnologia e a falta de mão de obra especializada para não investir”, conta o presidente da ABDI. 

Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm América Latina, espera que seja possível criar ecossistemas para mudar esse cenário e desenvolver a indústria 4.0. Segundo ele, os ecossistemas precisam ser criados em volta de cada caso de uso para agregar empresas. “O ideal é que isso seja produzido no Brasil, para criar mão de obra especializada e gerar mais valor para a matriz econômica brasileira”, conclui.

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Podcast

    Redação InfraDigital – 20.10.2021 – Pesquisa aponta que 88% dos bancos investiram em UX em 2019, de olho em novas experiências 

    O início da pandemia de covid-19 interrompeu a digitalização do mercado financeiro no Brasil, aumentando em 17% a circulação do dinheiro em espécie no País. O índice foi resultado da entrada do auxílio emergencial de R$ 600 (que chegava a R$ 1200 para famílias chefiadas por mães solo) e por pessoas que guardaram o dinheiro em casa por segurança. No entanto, a praticidade que os meios digitais de pagamento, como o Pix, trazem podem mudar essa realidade. 

    No último podcast da segunda temporada de “O Futuro do Dinheiro”, especialistas do mercado discutiram as mudanças que o setor financeiro tem passado. Fabiano Sabatini, especialista em IoT da Intel, lembrou da pesquisa Digital Banking Report, da consultoria Infosys, que aponta que 88% dos bancos aumentaram o investimento em tecnologia para gerar uma melhor experiência ao cliente. 

    Esse investimento se reflete, por exemplo, na adoção do open banking, como lembra Matheus Marcondes Neto, especialista da Diebold Nixdorf. Além de citar diversos exemplos de tecnologia, ele destacou a simplificação que isso geral ao segmento financeiro, permitindo que clientes possam integrar seus dados entre diferentes serviços bancários para obter melhores soluções. 

    Outro exemplo da digitalização é a integração entre os ambientes físicos e digitais, que já acontece hoje. Aplicativos de diferentes bancos já mostram onde o cliente pode encontrar caixas eletrônicos que atendem a marca e até começar o processo de saque pelo smartphone, como melhor explica Neto no episódio do podcast. 

    O desafio está não só em apresentar melhores experiências, mas também garantir a segurança nos processos sem que isso se torne um incômodo. Sabatini explica que, por isso, os caixas eletrônicos podem contar com tecnologia Intel para garantir a otimização da criptografia. Funciona de forma parecida com o WhatsApp: ele criptografa os dados do cliente ao sair da máquina de autoatendimento até entrar na rede do banco da pessoa. Segundo Neto, da Diebold Nixdorf, isso garante que o cartão não seja clonado, por exemplo. 

    Confira o episódio completo: