Acessibilidade é mais do que uma rampa para cadeirante, aponta especialista

Vanessa Pacola – 25.09.2019 – 

Censo de 2010  apurou que o número de brasileiros que se declarava com alguma era de aproximadamente 24% da população

Quando abordado o assunto acessibilidade, a primeira coisa que vem à mente da maioria das pessoas é a necessidade de rampa para locomoção de cadeirantes. É verdade, esta é uma das principais necessidades, mas é preciso lembrar que acessibilidade vai muito além.

Acessibilidade é para todos nós, pessoas com deficiência ou não. Acessibilidade também é para pessoas de idade mais avançada, crianças, grávidas, para aqueles que sofreram um acidente e estão com uma perna imobilizada, para obesos, para os muito altos e para os baixos também. Acessibilidade é proporcionar a todos condições de deslocamento com autonomia, segurança e conforto.

A evolução da população já indica que precisamos falar sobe acessibilidade agora, não podemos deixar esta discussão para mais tarde. Em 2000, o Censo realizado pelo IBGE apontou que aproximadamente 14% da população brasileira declaravam ter alguma deficiência. Já no Censo 2010 o IBGE apurou que o número de brasileiros que se declarava com alguma deficiência saltou para aproximadamente 24% da nossa população. Outro dado interessante, a grande maioria das pessoas que se declaram deficientes vivem em áreas urbanas brasileiras.

Tornar as cidades mais acessíveis implica em dividirmos os imóveis em dois momentos: aqueles que estão sendo construídos agora e os imóveis já existentes. Para imóveis que estão sendo idealizados, projetados e construídos neste momento, não tem desculpa, todos deverão ser projetados atendendo a 100% dos requisitos de acessibilidade da ABNT NBR 9050.

Uma dica importante é sempre aplicar os 7 princípios do desenho universal: equiparação nas possibilidades de uso, uso flexível, uso simples e intuitivo, informação de fácil percepção, tolerância ao erro, baixo esforço físico, dimensão e espaço para aproximação e uso.

Legislação também envolve infraestrutura de construções como hotéis

Para imóveis já construídos e que vão abrigar, por exemplo, atividades comerciais, estes também devem ser adaptados e aqui vale salientar alguns itens: garantir acesso ao interior do imóvel, garantir acesso a todas as áreas de uso comum que são abertas ao público e estão dentro do imóvel, ter uma condição de atendimento acessível, ter pelo menos um sanitário acessível, ter pelo menos uma vaga acessível, ter sinalização visual e tátil e, se tiver elevador no estabelecimento, pelo menos um deve ser acessível.

Não podemos esquecer que também existem decretos e leis específicas, como a que determina prazo de adaptação físicas para hotéis construídos antes de 2004 e a que determina que a partir de 1° de janeiro de 2020, 100% dos cinemas deverão estar adaptados para atender surdos.

No dia 21 de setembro foi celebrado o Dia Nacional de Luta das Pessoas Deficientes. Reivindicar os direitos de ir e vir de todos os cidadãos é a melhor maneira de lembrarmos essa data. A inclusão das pessoas com deficiência é um processo que se inicia na família, passa pelo aprendizado nas escolas e continua no trabalho. Contudo, para que esta inclusão ocorra é necessário criar condições e dar suporte à pessoa com deficiência.

Vanessa Pacola Francisco é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Guarulhos (UnG) e pós-graduada em Perícias de Engenharia e Avaliações de Imóveis pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

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