Aeroporto e trem, um combo que realmente vale a pena

Nelson Valêncio – 30.01.2019 – Na semana passada cobrimos a World of Concrete (WOC 2019) em Las Vegas, uma feira que antecipa tendências de aplicação do produto, novas tecnologias de aditivos, equipamentos e outros assuntos afins. É também um espaço onde se discute a infraestrutura, particularmente a aplicação de concreto nos Estados Unidos, das rodovias às pistas de aeroportos, passando pela reforma de portos. Em resumo, é um tema recorrente. Como esse ano optamos por uma viagem com duas paradas estratégicas – Los Angeles, na ida, e Nova York, na volta –  as rotas de ligação entre os aeroportos e o centro das duas cidades tornaram-se críticas para nós. A combinação ideal de acesso seria, claro, a de trem e metrô, de preferência com ligação direta com os terminais.

Não vamos discutir Los Angeles, pois optamos pelo Uber. Era feriado na cidade e não estávamos em horário de pico. Vale destacar que é mito a afirmação de que a cidade não oferece um sistema de transporte público interessante. Basta entrar no site da Autoridade de Transporte Metropolitano do Condado de Los Angeles (www.metro.net) para simular um trajeto. Do aeroporto internacional (LAX) até a Hollywood Boulevard, por exemplo, há três roteiros, mesclando ônibus e metrô. E detalhe: a cidade possui 200 linhas urbanas de ônibus e seis linhas de metrô. Da nossa experiência, o percurso via transporte público levaria pelo menos o dobro do que levamos usando o Uber.

No caso de Nova York, especificamente do JFK, onde descemos, o sistema de trem combinado com metrô é extremamente funcional: em uma hora saímos do terminal 8 e chegamos no novo World Trade Center. Pegamos o mesmo Airtrain, que liga os terminais (gratuitamente) e fomos até a estação de metrô Jamaica, de onde saíam pelo menos duas linhas para o nosso objetivo, que era Manhattan.  Optamos pela E, azul, e fomos direto para conhecer a nova configuração do WTC. A volta foi feita pela mesma linha, com a diferença que pegamos o metrô na rua 42 com a sexta avenida, uma das várias possibilidades do enorme sistema de metrô da cidade. É um pouco confuso no começo, mas rapidamente a gente pega o jeito.

Sem trens diretos, viagem começa antes do embarque no avião

Considerando a visão da infraestrutura que temos aqui em São Paulo, o sistema de Nova York não tem reparos. É infinitamente melhor chegar e sair diretamente dos terminais para um trem ou uma estação de metrô. No meu caso, em especial, a viagem de 13 horas de Guarulhos até Los Angeles começou pelo menos seis horas antes com o deslocamento entre Campinas e o aeroporto internacional de São Paulo via ônibus executivo. Levei quase duas horas e desci no terminal 2, andando cerca de 15 minutos para o meu ponto de partida. Se tivesse optado pelo trem que serve o aeroporto, teria descido no terminal 1, precisaria pegar um circular interno etc.

Frescura não é. Vamos analisar de outro ponto de vista. Veja o caso do Amsterdam Schiphol, na Holanda. Ele foi apontado pelo site da CBC/Radio Canadá como o melhor aeroporto de uma lista de dez instalações no critério de acesso rápido e fácil. Com uma movimentação de 40 milhões de passageiros/ano, ele tem uma estação de trem no piso inferior e que leva diretamente para o centro da cidade. Nada menos do que isso. A Coréia do Sul fica em segundo, com o Incheon International Airport, de Seul. A ligação acontece com um sistema de trem super rápido que conecta o local à estação de metrô de Yongyu Station em 15 minutos. Detalhe: gratuitamente.

O terceiro posto fica com o norueguês Moss Airport Rygge, de Olso. Lá, o Flytoget Airport Express Train parte a cada dez minutos para o centro da capital numa jornada que dura entre 19 e 22 minutos. É menos da metade da uma hora de trajeto por ônibus (60 minutos). Desnecessário dizer que não estamos nessa lista e que o de Guarulhos decepciona no quesito acesso via trem ou metrô. Anteriormente previsto para ter sua finalização diretamente nos terminais, o trem acaba próximo ao Terminal 1, de onde é necessário pegar um circular, como já dissemos antes. Praticidade? Discutível, pra dizer o mínimo e ainda mais considerando a informação de que isso não estava no projeto original.

Em Viracopos, só pra ilustrar, não há trem, mas existem linhas diárias, tanto de ônibus executivos como os de transporte público comum, além da ligação direta com a capital também via linha regular de ônibus. Não tem acesso via trem ou metrô porque a cidade de Campinas não possui nenhum dos dois sistemas de transporte público. A última notícia a respeito de uma ligação de trem entre a cidade e a capital seria a extensão da Linha Rubi, da CPTM, além de Jundiaí, que fica na metade entre Campinas e São Paulo. Se for pra frente, poderíamos ter uma interligação entre aeroportos de trem, o que já é um salto. Mas esse é um assunto para outra coluna.

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