Americanet e Nokia apostam nos provedores regionais para a expansão do 5G no interior do Brasil

Nelson Valêncio – 28.10.2020 –

Operadora regional testa rede de 5G e fala no potencial de atender 500 cidades a partir de sua rede de fibra óptica no estado de São Paulo

Oliveira, da Americanet: provedores regionais vão ativar o 5G no interior do Brasil

As prestadoras de pequeno porte (PPP), terminologia usada pela Anatel para se referir aos provedores regionais, estão começando a marcar espaço mais forte na implantação do 5G no Brasil. A parceria entre a Americanet e a Nokia, formalizada nessa terça, acena para os testes na cidade de Pindamonhangaba (SP). Para Lincoln Oliveira, presidente da Americanet, a iniciativa da operadora vai ser compartilhada com outros provedores, de forma a incentivar a expansão deles como players de ativação do 5G no interior do Brasil. A própria Americanet sinaliza para o atendimento de pelo menos 500 municípios no interior de São Paulo que já estão sendo cobertos pela sua rede.

Para Oliveira são cidades com população abaixo de 100 mil habitantes e que poderão ter a quinta geração de telefonia móvel antes mesmo de grandes centros. O processo se daria pela presença de fibra óptica, complementada pelas soluções de rádio do 5G e vice-versa. “O desafio de implantar o 5G nas grandes cidades acontece porque ele será caro e complexo, mas no interior poderá ser caro e menos complexo, justamente pela presença dos provedores regionais”, argumenta o presidente da Americanet. Ele não vê as grandes operadoras de telecomunicações privilegiando o interior do Brasil na ativação do 5G e nem regiões remotas, onde indústrias como a mineração podem ser grandes consumidores de serviços oferecidos pela nova tecnologia.

Em relação a recursos para financiamento das redes de 5G dos provedores regionais, Oliveira avalia que não haverá falta de aporte, considerando o interesse atual de grandes fundos de investimento em ativos de infraestrutura digital. Ele vê novas oportunidades de negócios e um ecossistema pronto para isso. O exemplo do teste da operadora, com seu parceiro principal Nokia, não deixa de envolver outros players de mercado como a Qualcomm e instituições locais como o Senai-SP e pesquisadores de Campina Grande, na Paraíba, focados em software para soluções de quinta geração de telefonia móvel.

Luiz Tonisi, presidente da Nokia Brasil, agrega outra informação importante: a complementaridade entre as redes de fibra óptica dos provedores regionais e as soluções de 5G. Para ele esse é um dos fatores importantes pelos quais as chamadas PPPs deverão assumir um papel relevante na ativação da tecnologia no Brasil. Tonisi lembra que a Nokia, por exemplo, tem soluções de mobilidade que cobrem 5,5 milhões de hectares no setor de agronegócios no país e que a oferta de serviços já acontece. Para ele, o 5G vai impulsionar mercados como esse, além de outros importantes que acontecem em regiões remotas, caso da mineração. “Cerca de 35% a 40% da banda larga disponível no país está no interior por causa das PPPs”, ressalta o executivo.

O teste da Americanet acontece após a licença obtida na Anatel em caráter de teste e pesquisa para as experimentações na cidade, utilizando as faixas de 3,5 GHz e 26 GHz. Pindamonhangaba foi escolhida por estar no Vale do Paraíba, região estratégica do ponto de vista de logística e de negócios com alto poder de investimento, e com a presença de vários segmentos industriais. A cidade também tem a presença da Americanet, cuja cobertura envolve uma rede de fibra óptica com extensão de 20 mil km, presença em 8 estados e mais de 250 municípios.

A Nokia, por sua vez, irá fornecer toda a infraestrutura e equipamentos necessários para conduzir os experimentos em diversas aplicações. Um dos dispositivos da Nokia em utilização é o roteador Nokia FastMile 5G, gateway que oferece acessos de banda larga para residências e pequenas empresas com aplicativos sem fios fixos (FWA – Fixed Wireless Access). “A parceria com a Americanet vem para demostrar o potencial de 5G como uma plataforma de novos serviços digitais, com oportunidades no futuro bem próximo”, destaca Tonisi, da Nokia Brasil.

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