As redes avançam, mas o diabo está nos detalhes

Nelson Valêncio – 18.02.2019 – Um ditado popular em inglês fala que o “diabo está nos detalhes”. No caso da infraestrutura de telecomunicações, principalmente agora com o avanço da quinta geração (5G) e dos mecanismos de virtualização de rede, é preciso monitorar os detalhes. Não adianta implantar um volume enorme de fibra óptica e equipamentos de alta tecnologia se o fluxo de dados não está sendo monitorado corretamente e se os gargalos não estão sendo identificados. Testar e monitorar as redes sempre foram atividades de bastidores, mas é nos bastidores que se conta a história.

Uma reportagem do site RCR Wireless da sexta-feira passada (15) exemplifica a preocupação com a questão. Trata-se da iniciativa da operadora norte-americana AT&T, da Keysight Technologies, especializada em soluções de monitoramento de redes, e de outros players da Open Radio Access Network Alliance (O-RAN) para definir o rascunho de testes para a próxima geração de 5G de telefonia móvel. Obviamente, os fabricantes de equipamentos já sabem o que testar, mas é preciso refinar o processo e definir padrões universais. E aí entram empresas como a Keysight, que antigamente apenas fabricavam os instrumentos de testes e hoje evoluíram muito na cadeia.

O processo de avaliar a infraestrutura não se limita às redes móveis. Ele avança para a planta óptica que interliga as estações rádio base (ERBs), entre outras. Daí outra iniciativa importante, dessa vez do Broadband Forum, focado na função de DBA, sigla em inglês, para Atribuição Dinâmica de Banda Larga. Na prática, o que se quer é poder mudar rapidamente os módulos de software de DBA, ampliando a quantidade de serviços ofertados pela quinta geração. Explicando sem muita complicação: estamos falando da interconexão de redes, que não pode atrapalhar a ativação de serviços. Para o usuário final, seja ele corporativo ou residencial, importa é ter uma banda larga efetiva e não o que está nos bastidores.

Players de monitoramento como a Keysight e Viavi movimentam os bastidores das redes 

Mas os bastidores importam para as operadoras e para os players da área de monitoramento. E há várias notícias que confirmam o que falamos acima. Uma delas é sobre o relatório de testes e o ranking de operadoras – de acordo com seus desempenhos – feito pela RootMetrics nos Estados Unidos. Ela avaliou a infraestrutura das carriers em 125 cidades. Falaremos sobre isso em breve. A própria Keysight foi notícia na semana passada, depois que a Telefônica a apontou como parceiro global para aumentar a visibilidade de suas redes tanto físicas como virtuais.

A Viavi é outra que atua nessa seara e que traz insights sobre seus clientes e, dessa forma, sobre as tendências de rede. De acordo com a RCR Wireless, os resultados financeiros trimestrais mais recentes mostram um crescimento de receita de 50% sobre o mesmo período do ano passado. Contratos ampliados como o da Etisalat, da Arábia Saudita, são exemplos. A operadora, que já usava a plataforma de localização inteligente Nitro Geo, agora passa a adotar o sistema que avalia o tráfego móvel da rede, permitindo otimizações instantâneas.

A Spirent Communications, por sua vez, apresentou seu teste universal para comunicações dentro de veículos, que faz a avaliação do padrão Ethernet dentro de carros e de ônibus. A mesma plataforma faz teste de conformidade e de desempenho. A Rohde & Schwarz, por sua vez, aposta em soluções de gerenciamento e analytics para tráfego, por meio de sua subsidiária ipoque (assim mesmo em minúsculas). O foco é a virtualização total.

Pra resumir, o processo é similar ao que acontece com a Internet das Coisas (IoT): falamos muito em enviar dados para a nuvem, mas é necessário um pé no mundo real, formado por inúmeros sensores em campo. Novamente, detalhes. E já sabemos quem está a procura de detalhes o tempo todo pra derrubar a rede. Ele mesmo, o diabo.

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