Brasil não tem política clara para carro elétrico e pode ficar para trás na inovação

João Monteiro – 26.08.2021 – Para especialistas, falta infraestrutura de carregamento para dar previsibilidade ao motorista, além de nacionalização da produção 

Enquanto na Europa o carro elétrico aparece como uma forma de combater as mudanças climáticas e a China enxerga nele uma oportunidade de liderar o desenvolvimento tecnológico, o Brasil não conta com uma política clara para popularização desta tecnologia. Para especialistas do setor automobilístico, que participaram de um evento da Siemens realizado de forma online esta semana, o País criar uma infraestrutura que permita o desenvolvimento de tecnologia. 

Para Sergio Magalhães, diretor geral de ônibus e caminhões na Daimler, o custo dos carros elétricos é o primeiro impeditivo. A expectativa é que, com a evolução da tecnologia de baterias, é possível que haja uma mudança no preço que facilite a aquisição da população. 

Rodrigo Chaves, CTO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, complementa ao dizer que as baterias têm ciclos de desenvolvimento de dois a três anos que, além de baratear sua produção, pode levar a aumento de capacidade. “Em três anos, a tecnologia de baterias para carros elétricos deve trazer uma capacidade de carregamento próxima a simplicidade dos motores à combustão”, diz. 

Isso endereçaria outro problema do Brasil, que é a falta de locais para carregar carros elétricos. Magalhães aponta que é fundamental uma infraestrutura dê confiabilidade ao consumidor. “Não é possível ficar refém de um transporte que não tem onde abastecer durante uma viagem. Por isso também é preciso que haja algum tipo de comunicação entre carros elétricos e postos de carregamento, para que o motorista saiba onde será possível ‘abastecer’”, destaca. 

Outro ponto é que não há uma política de cobrança para carregamento e nem uma infraestrutura que garanta que, ao carregar a bateria de um carro, não desligue a energia de uma casa próxima. “São necessárias regras claras para ter uma previsibilidade, inclusive da demora no carregamento, para não se ter filas enormes de carros em pontos de energia.” 

Produção nacional prejudicada 

Os especialistas apontam que os problemas estruturais do Brasil impedem que a indústria nacional invista na produção local de carros elétricos. Além dos desafios tributários e burocráticos, a necessidade de importação de componentes eletrônicos torna a fabricação no Brasil ainda mais difícil. 

Mas Chaves, da Volkswagen, aponta que o País poderia se beneficiar de suas capacidades em mineração para produzir baterias. Segundo ele, o Brasil tem a capacidade necessária para desenvolver a tecnologia. 

Por isso, o executivo defende uma visão de longo prazo, visto que a eletrificação é a tecnologia que melhor vai endereçar os desafios ambientais. “Os problemas de infraestrutura do Brasil, não serão resolvidos em curto prazo, mas precisamos começar uma discussão para avançarmos. Há uma janela de tempo que se não seguirmos, vamos ser somente meros espectadores. Não podemos perder a chance de protagonizar”, conclui.

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