Brasil tem mais de 160 startups para cidades inteligentes

Redação – 07.01.2020 –

Atualmente, há 166 startups dedicadas à causa das cidades inteligentes no Brasil, de acordo com o estudo Distrito Smart Cities Report. Em suma, essas são empresas que, a partir do uso da tecnologia, buscam resolver problemas de infraestrutura, mobilidade, governança, preservação ambiental, economia e segurança nas cidades. Em 2020, essas startups receberam US$ 49,4 milhões em aportes.

O Distrito Dataminer é braço de inteligência de mercado KPMG e o seu estudo recente revela que, do total das startups de cidades inteligentes, 110 surgiram nos últimos cinco anos e a maioria dessas (64,4%) está concentrada na região Sudeste. Somente o estado de São Paulo abriga 42,8% delas.

O Distrito Smart Cities Report desmembrou ainda as startups do setor em oito categorias. As que se voltam para melhorias na Mobilidade (32,5%) lideram este levantamento. Na sequência estão empresas dedicadas a resolver problemas de Infraestrutura Urbana, a partir da gestão de água e energia (12%); Soluções Ecológicas, com controle ambiental (10,8%); Planejamento e Gestão, com projetos e execução de construções e outras iniciativas (9,6%), Operações Municipais, com tecnologias para auxiliar a administração pública (9,6%); Gestão de Resíduos (9,6%); Segurança (8,4%) e, por fim, Qualidade de Vida (7,2%).

“De modo geral, as startups possuem uma capacidade ímpar de atacar com agilidade problemas com os quais nos deparamos no dia a dia, aplicando a tecnologia em prol dos cidadãos, que passam a ter acesso a melhores e mais baratos produtos e serviços. No caso daquelas que trabalham por cidades mais inteligentes e conectadas, não é diferente. A tecnologia é canal para uma vida urbana melhor e economicamente mais próspera”, diz Luiz Gustavo Comeli, líder de Corporate Success do Distrito.

Para ele, no entanto, chama a atenção a falta de investimentos no setor e a baixa interlocução com o Estado. “A maior evidência disso é a baixa ocorrência de parcerias público-privadas, consideradas essenciais para alavancar a transformação inteligente nos municípios”, diz. “Ainda assim, conseguimos enxergar um ambiente vibrante e engajado na transformação positiva das nossas cidades, o que é de extrema importância para um país que deve ter mais de 90% da população vivendo em centros urbanos até 2050”, completa.

“O Brasil ainda enfrenta grandes desafios, mas podemos aprender com outros países que saltos são possíveis por meio de fortes ecossistemas de inovação, integrando governo, academia, indústria, startups e sociedade, para melhorar a qualidade de vida nas cidades brasileiras, que já acumulam mais de 85% da população. Por isso é imperativo, neste momento de despertar para a importância ESG, discutirmos o papel que o ecossistema de inovação pode desempenhar para um amanhã mais rico e sustentável para o País, acelerando o processo de chegada desta nova Sociedade 5.0 no Brasil”, complementa o sócio de transformação digital da KPMG, Daniel Carocha.

Investimentos

Desde 2010, mais de US$ 331 milhões foram investidos em startups que apresentam soluções que se voltam para cidades inteligentes. Apesar do volume de investimentos, ocorreram apenas 42 rodadas – das quais somente 35 tiveram seu valor anunciado. O ano com o maior volume de investimentos foi 2017, com quase dois terços do valor total. Esse desequilíbrio ocorreu por conta da rodada Série C da 99, no montante de US$ 200 milhões.

Como em outras verticais analisadas pelo Distrito, os investimentos em estágios iniciais predominam no setor. Mais de 60% do total dos aportes é realizado em etapas Seed e Pré-Seed. Vale ressaltar também que a categoria de Mobilidade concentra mais de 90% do total investido no segmento, somando mais de US$ 306 milhões.

Em 2020, as empresas do setor já atraíram US$ 49,4 milhões. O volume é 150% superior ao total investido no último ano, que somou US$ 19,8 milhões.

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