Brasilit foca em reformas e construção seca para vencer a crise

Por Rodrigo Conceição Santos – 12.09.2018 –

Foto de Divulgação

A Brasilit revela que 80% das telhas que vende vão para reposição (pequenas reformas). Essa, portanto, é a sua vaca leiteira para vencer a crise. Mas não é receita isolada, e três fatores ajudam a explicar isso. O primeiro é que a Brasilit se anteviu à proibição do amianto, oficializada nacionalmente no final de 2017. Já há mais de 15 anos a empresa o havia substituído integralmente pelo fio sintético de polipropileno para fabricação de telhas de fibrocimento. Suas maiores concorrentes ainda buscam soluções. Pertencer ao grupo francês Saint-Gobain é outro fator positivo nessa corrida, pois, além da maior solidez financeira, permite o intercâmbio para acesso de tecnologias de ponta. O pensamento em novos mercados entra como a terceira perna do tripé, e a construção seca – que depende necessariamente da retomada da construção civil – é a aposta.

“Entendemos que há investimentos perenes, que são pequenos, mas sempre realizados”, diz Thiago Kaschny, gerente de produtos da Brasilit. Ele se refere à reposição de telhas, com o exemplo de que, se a telha de uma casa quebra por qualquer motivo, o morador precisa colocar outra no lugar. Isso, para Kaschny, acontece na crise ou fora dela e o desafio para os fabricantes desses materiais é a capilaridade, fazendo com que seus produtos estejam disponíveis no maior número de depósitos de construção possível.

Na Brasilit, o especialista lembra que esse processo de distribuição e revenda começou nas épocas das “vacas gordas”, quando a construção civil vivia o auge impulsionado pelas obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas. “Intensificamos os trabalhos de especificação, para atendimento de clientes direto em obras maiores, como hotéis e comércios, ao mesmo tempo que ampliamos o trabalho no mercado de distribuição”, diz ele. “Quando chegou a crise o processo já estava formatado”, completa.

Proibição do amianto foi boa ou ruim?
Com a proibição definitiva do amianto, as expectativas por possibilidades obviamente aumentaram para a Brasilit, que já não usava o material. Mas ainda nesta entrevista (set/2018), a luta era para separar o joio do trigo, pois a empresa tenta explicar que as suas telhas de fibrocimento nada têm do material tido como cancerígeno. “Produzimos com amianto durante muitos anos da nossa história, até que, impulsionados pelas proibições na Europa – onde associaram que a extração (não o uso) era prejudicial à saúde, começamos o processo de substituição do amianto pelo fio sintético de polipropileno no Brasil”, lembra Kaschny. Segundo ele, esse foi um período de desenvolvimento complexo, que resultou na construção da fábrica de fio sintético em Jacareí (SP).

Desde 2002, contudo, a Brasilit fabrica 100% do fio sintético que utiliza e a vantagem comercial que levou na recente proibição do amianto é por já ter o processo industrial definido. Isso, aliás, é o que buscam muitos dos seus concorrentes. Eles, pontua Kaschny, procuram por tecnologias distintas, como fios de PVA e o próprio polipropileno em outros tipos de desenvolvimento.

A Eternit é um exemplo em curso, não comentado pela concorrente Brasilit mas pesquisada pelo InfraROI. No início deste ano, ela teria ampliado de 200 para 700 toneladas/mês a produção de fios de polipropileno na sua unidade de Manaus, segundo reportagem da revista IstoÉ Dinheiro.

Construção seca é aposta
Além das telhas de fibrocimento, a Brasilit oferta telhas de metal, translúcidas, shingle (estilo americano) e acessórios para telhados como mantas e selantes. Fora dos sistemas de cobertura, a empresa produz caixas d’agua e placas cimentícias, sendo essa última a “menina dos olhos”.

“O mercado de construção seca é relativamente novo no Brasil, sendo que a Brasilit começou a comercializar as primeiras placas cimentícias em 2002”, diz Kaschny. “Percebemos que o segmento vem crescendo ao longo dos anos, mas ainda há um trabalho grande a ser feito para demonstrar as vantagens de sistemas baseados em light steel frame, como o conforto térmico e acústico, além da celeridade na construção”, completa.

O especialista da Brasilit explica que, diferente do drywall, utilizado apenas em fechamentos internos, os sistemas em light stell frame podem ser estruturais, substituindo ou complementando praticamente todas as estruturas em alvenaria tradicional. “As placas cimentícias, em light stell frame, podem ficar expostas a intemperes, enquanto o drywall com gesso não. Além disso, tratam-se de chapas de aço mais resistentes, com outra faixa de espessura dos perfis metálicos”, detalha ele.

A difusão dessa tecnologia depende, na visão de Kaschny, desde as matérias acadêmicas até questões de normatização e divulgação boca a boca por parte de quem já aplicou. Para ele, é preciso discutir mais as tecnologias nas universidades de arquitetura, para que os novos profissionais as tenham como opções em suas obras. No caso da Brasilit, a homologação das placas cimentícias pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) foi um passo importante, segundo o gerente de produtos.

Explicar a equalização financeira é outro ponto central para a popularização correta da tecnologia, defende Kaschny. Ele explica que o custo de implantação é superior ao da alvenaria tradicional, mas a redução de prazo de execução, de desperdício e as qualidades de maior conforto térmico e acústico compensam a conta no final da obra.

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