Caminhões high tech dão as caras em Curitiba

Por Nelson Valêncio – 07.11.2016 –

Novidades da Volvo incluem refino do sistema de gestão de frota, com inclusão de ferramentas que treinam o motorista em tempo real, na cabine do caminhão, e nova geração de caixa de câmbio eletrônica. 

O ambiente definitivamente não era para amadores. De um lado, um grupo de especialistas da Volvo mostrando as novidades do aplicativo de gestão Dynafleet, inclusive o Driver Coaching, treinamento online com instruções de voz e orientaçoes diretas na tela de LCD embarcada em caminhões. Do outro, um pelotão de jornalistas especializados em transporte. Eu, sem ter sequer a carteira de habilitação para dirigir um kart, não fazia parte de nenhuma das duas turmas. Então, minha visão é de leigo. Um leigo observador, como deve ser um bom repórter.

Obviamente não participei do test drive dos caminhões e não tive um feedback de como me sairia ao interagir com o Driver Coaching. Também não tive acesso individualizado sobre o que seria meu desempenho de motorista, o processo que o Drive Id, ferramenta de análise que faz parte do Dynafleet, permite aferir. Enquanto o Driver Coaching funciona como um piloto automático, aconselhando os motoristas a terem o melhor desempenho possível, o Driver Id condensa as informações de desempenho, enviando os dados de minuto a minuto ao gestor de frota. Isso simplificadamente falando.

Ao contratar o Dynafleet, os frotistas ativam os recursos do Driver Coaching, permitindo que os próprios motoristas corrijam seu desempenho e usem melhor as tecnologias disponíveis, inclusive as da sexta geração do I-Shift, a caixa de câmbio eletrônica da Volvo. Ela era, na verdade, o grande lançamento da semana passada em Curitiba (não se esqueçam das minhas limitações de leigo). Apesar de pouco conhecedor, é possível depreender que a boleia do século XXI evoluiu bastante em termos de recursos.

Vamos lá: enquanto o treinador online de motoristas (Driver Coaching, em tradução livre) funciona como um instrutor em tempo real, os dados de operação – e a ideia é conduzir o motorista a operar com direção econômica – são enviados minuto a minuto ao gestor de frotas. Diferentemente da administração em papel, na qual as informações são processadas com intervalos de semanas ou meses, ou seja, quando “Inês já é morta”, os dados de um sistema automatizado podem ser avaliados de imediato, interferindo nos custos da frota. Ao individualizar o desempenho dos motoristas, o Driver Id otimiza o processo.

Para operacionalizar o Dynafleet – e suas várias ferramentas – a montadora sueca fez um acordo com a Claro, responsável pela rede de telefonia móvel que transmite os dados do chip embarcado nos caminhões para o centro de operação dos frotistas. A maioria – 94% – dos que contratam o serviço adota o pacote tradicional. Isso significa a gestão (não é rastreamento) mas não a comunicação direta com o motorista via troca de mensagens (SMS) na tela de LCD. Nem seria necessária, visto o avanço da telefonia móvel em si. O Driver Id também pode ser cruzado com informações de geolocalização via satélite e aí temos camada sobre camada de dados de desempenho. As rotas podem ser memorizadas e avaliadas de forma constante pelo Dynafleet, segundo a fabricante.

Ao individualizar a avaliação do desempenho dos motoristas, a Volvo quer ajudar seus clientes a aperfeiçoar a mão de obra e gerir melhor os recursos. A tecnologia é interativa e transforma vários inputs de sensores já embarcados em informação clara: verde para uma operação adequada, amarelo para atenção e vermelho para o que precisa de fato mudar. Segundo os especialistas da montadora, muitos gestores que faziam uma administração com dados em planilhas acumuladas durante pelo menos um mês, agora podem ter acesso imediato ao desempenho de sua frota. Nem sempre isso acontece, mas a Volvo conta com a mudança cultural em cima de resultados.

O Dynafleet tem três pacotes de contratação e a montadora sueca garante que repassa somente os valores acertados com a Claro, escolhida em função da melhor cobertura. Como tem um sistema proprietário, a Volvo já entrega esse mini Big Data com as interpretações devidas, simplificando a edição de planilhas. E para os frotistas que têm mais de uma marca de caminhão? Nesse caso, a entrega dos dados acontece via um protocolo comum, mas sem a interpretação das informações.

Na prática, a Volvo computa 1,5 mil caminhões rodando no Brasil com o Dynafleet ativado. No ano passado, durante a Fenatran, feira tradicional do segmento, a montadora ofereceu o serviço gratuitamente durante seis meses para quem adquiria um caminhão zero. Uma pesquisa indicou que depois do período de gratuidade todos os gestores passaram a pagar pela gestão. Segundo Bernardo Fedalto, diretor de caminhões da subsidiária brasileira da Volvo, o sistema permitiria uma economia média de 15% nos custos de operação. O caso real de uma mineradora em Goiás mostra a economia de 6%.

Sobre a sexta geração do I-Drive, a novidade é que a caixa de câmbio eletrônica aprimorou a redução de combustíveis em mais 3% em relação ao modelo anterior. Agora, o sistema permite a ativação de até 14 marchas e em caminhões com maior poder de carga (até 300 toneladas). Aplicações que exigem baixa velocidade (entre 0,5 km/h e 2 km/h) e constância estão no alvo. É o caso do espalhamento de calcário em agronegócios e da coleta de lixo urbano. Nesse último caso, uma operação com câmbio manual pode exigir até 60 trocas de marcha por hora, nível reduzido para 35 com a automação do processo. O resultado é a extensão do tempo de troca do dispositivo e de outros componentes, caso da embreagem. Ah, os trios elétricos durante o carnaval são outro alvo do I-Drive aprimorado, provando que tecnologia também pode ser divertida.

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