Como viabilizar R$ 612 bi em obras de infraestrutura

Da Redação – 06/07/2017 –

Segundo um estudo da consultoria Neoway, esse é o volume de investimentos que deixará de ser aplicado em projetos de infraestrutura no país até 2022 por vários motivos.

Falhas de planejamento, projetos mal estruturados, instabilidade política e insegurança jurídica e econômica em relação às concessões e privatizações no setor. Esses são alguns dos motivos que fazem com que o Brasil deixe de viabilizar mais de 82% dos projetos programados para a área de infraestrutura até 2022. Segundo um levantamento da Neoway, consultoria especializada em bigdata e pesquisa de mercado no setor de construção, todos os projetos de infraestrutura do país planejados para os próximos cinco anos somam investimentos de 744,5 bilhões de reais, mas apenas 132,2 bilhões estão, de fato, desaguando em novas obras.

Mesmo assim, do volume total efetivamente investido em obras de infraestrutura, a pesquisa constata que 22,4% foram destinados a projetos que estão paralisadas. De acordo com esse estudo, a maior parte desses 132,2 bilhões de reais investidos no setor está contemplada no Programa de Investimentos em Logística (PIL), criado em 2012 com o propósito de viabilizar novos projetos em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.

Atualmente, no entanto, a maioria dessas obras se encontra em ritmo lento de execução, quando não estão completamente paralisadas, seja por questões econômicas (falta de recursos ou de atratividade do projeto) ou por questionamentos judiciais. A maior retração se deu em projetos de óleo e gás, com uma taxa de abandono de 94,3% das obras previstas. “Essa é a primeira vez, desde que iniciamos esse levantamento, em 2009, que o setor de óleo e gás não lidera o volume de obras no Brasil”, afirma Cristina Della Penna, diretora da Neoway.

De acordo com a pesquisa, do total que está sendo investido em infraestrutura no país, 53,2 bilhões de reais se concentram em projetos de transporte e mobilidade urbana. Outros 35 bilhões de reais foram destinados a investimentos em indústrias, R$ 32,1 bilhões de reais estão alocados no setor de energia e 6,2 bilhões de reais, em obras de óleo e gás. A constatação que se tira desse fato é que, entre os projetos com implantação programada até 2022 (744 bilhões de reais) e aqueles que efetivamente estão em obras (132,2 bilhões), há um hiato de 612,3 bilhões de reais, que corresponde aos projetos não viabilizados.

Na avaliação dos especialistas, esse cenário contribui para manter os gargalos do país em infraestrutura, além da oportunidade que tais investimentos gerariam em crescimento econômico e na retomada do mercado. Como agravante, há de se ressaltar que o Brasil já perde investimentos internacionais em infraestrutura para a Colômbia, Peru e Chile, entre outras nações vizinhas, já que os fundos globais analisam a América Latina como um todo em suas estratégias de aporte dos recursos. Em resumo, eles optam por mercados nos quais vislumbram melhor oportunidade e retorno para seus capitais.

O lado positivo, na avaliação de Cristina Della Penna, é que o governo brasileiro vem mostrando maior disposição em dialogar com os investidores. “Isso mostra uma mudança no investimento em infraestrutura que pode ser vantajosa para o setor privado.” Entretanto, ela alerta para a importância de se adotar outras medidas que ajudem a aumentar a atratividade dos projetos no país. Entre eles, a especialista cita a necessidade de intensificar as Parcerias Público-Privadas (PPPs), descartar projetos com baixa probabilidade de conclusão, aumentar o foco em concessões e tornar os processos licitatórios mais organizados.

De acordo com o estudo, os setores de transporte, energia e saneamento básico são os que mais despertam interesse dos investidores. No transporte, o destaque fica para as ferrovias, que atraem 29,3% de intenção de investir. Em energia, a prioridade é para parques eólicos, linhas de transmissão e usinas termelétricas, com 68% das intenções de investimento. Já em saneamento, as obras de abastecimento e esgoto são as que ganham maior atenção dos investidores (24,7% de intenções).

 

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