Concessionárias de energia reinventam-se na pandemia

Redação – 30.06.2020 –

Crise terá implicações a longo prazo e o setor deve fazer um balanço das mudanças no ambiente regulatório e competitivo

Para muitas empresas a turbulência provocada pela Covid-19 causou paralisação, mas esse é um cenário longe de ser realidade para as concessionárias de energia elétrica. Da mesma forma que as operadoras de telecomunicações, elas obrigatoriamente precisam manter os serviços funcionando.  De acordo com o artigo Power and people: How utilities can adapt to the next normal (Energia e pessoas: como as concessionárias podem se adaptar ao novo normal, em tradução livre), publicado por especialistas da consultoria McKinsey, o segmento passa por várias etapas durante a crise.

A primeira delas envolve a resolução de problemas imediatos causados pela pandemia. O segundo movimento inclui o desenvolvimento de uma resiliência para atender às demandas operacionais imediatas. “A prioridade era garantir a segurança de seu pessoal e garantir a segurança dos suprimentos e enfrentar os riscos. As equipes de crise tiveram que estabilizar as cadeias de suprimentos e operações, que foram interrompidas por distanciamento físico e restrições no local”, argumentam os consultores. De acordo com eles, as concessionárias também tiveram que lidar com o impacto financeiro da crise, em função de uma menor demanda de consumo.

A volta ao novo normal traz outros desafios. O foco agora é “como trazer mais trabalhadores de volta ao dia a dia e como acelerar as operações à medida que a demanda começa a aumentar”, detalha o artigo. Para os especialistas, as empresas de serviços públicos precisam pensar a longo prazo, reconhecendo as mudanças operacionais experimentadas no setor à medida que reinventam e reformam seus ambientes operacionais. “A prioridade será entender quais das interrupções temporárias que ocorreram vão persistir. Finalmente, a crise da Covid-19  terá implicações a longo prazo para o setor e as empresas devem fazer um balanço das mudanças no ambiente regulatório e competitivo para equilibrar suas futuras pegadas de negócios”, explicam os consultores.

Outras duas fases envolvem a reinvenção do setor, com as lições aprendidas durante a crise, inclusive em modelos operacionais, e a reforma. Nesse último caso, o direcionador será focado no entendimento do ambiente regulatório, já citado acima.

Em relação à infraestrutura em si, um ponto importante abordado pelos autores do artigo é o atraso em muitas operações e manutenção (O&M) e projetos de capital. “Concessionárias e desenvolvedores precisam esperar que algumas dessas restrições permaneçam em vigor. Medidas que já foram implementadas, como a exigência de pré-quarentena para trabalhadores embarcados em embarcações eólicas offshore e a limitação do compartilhamento de veículos, podem precisar ser ampliadas”, argumentam. Mas o alerta fica: “limitar o tamanho da equipe e outras medidas de distanciamento físico pode diminuir a velocidade dos empreendimentos que exigem contato físico próximo”.

O artigo da Mckinsey foi escrito por Adrian Booth, sócio sênior do escritório de São Francisco, Tom Carlowitz, analista pesquisador no escritório de Düsseldorf, Elizaveta Malashenko, especialista sênior do escritório do Sul da Califórnia, e Jesús Rodriguez Gonzalez, sócio no escritório de Madri.

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