Controle remoto do trabalho tem brechas

Redação – 01.03.2021 –

E pelo menos 10% dos funcionários vai usá-las para driblar o monitoramento de home office

A consultoria Gartner acaba de lançar uma avaliação a respeito do trabalho remoto: até 2023, 10% dos funcionários enganarão os sistemas e controle do trabalho baseados em Inteligência Artificial. Segundo ela, à medida que cresce o uso de ferramentas de controle de produtividade por conta da Covid-19, as organizações terão cada vez mais colaboradores tentando encontrar maneiras de burlar os sistemas que medem o comportamento e a produtividade dos trabalhadores.

“Muitas empresas estão fazendo uma mudança permanente para o trabalho remoto, em tempo integral ou parcial, o que pode exigir gastos e mudanças culturais”, afirma Whit Andrews, vice-presidente de Pesquisa do Gartner. “Para culturas de gestão acostumadas a depender da observação direta para avaliar o comportamento dos colaboradores, o home office apresenta a necessidade de monitorar digitalmente a atividade do trabalhador, e em alguns casos por meio de Inteligência Artificial.”

Segundo ele, os funcionários descobrirão rapidamente as lacunas nas estratégias de vigilância baseadas em Inteligência Artificial. Eles podem fazer isso por diversos motivos – seu interesse por menores cargas de trabalho, melhor remuneração ou simplesmente rancor. “Alguns, inclusive, podem enxergar que driblar as ferramentas de monitoramento seja meramente mais um jogo a ser vencido do que de fato desrespeitar uma métrica que a administração tem o direito de saber”, argumenta.

As organizações estão empregando sistemas habilitados por Inteligência Artificial para examinar o comportamento dos trabalhadores da mesma forma que a ferramenta é usada para entender os seus consumidores. Essas tecnologias fornecem registros de atividades básicas, com alertas, ou, em versões mais sofisticadas, podem tentar detectar ações positivas ou mau comportamento por meio de uma análise multivariável.

Muitos empregadores utilizam esses sistemas de monitoramento de produtividade, apesar de uma alta porcentagem de colaboradores considerar essas ferramentas desagradáveis. Mesmo antes da pandemia, pesquisas do Gartner indicaram que os colaboradores temiam as novas tecnologias usadas para rastrear e monitorar seus hábitos de trabalho. À medida que essas ferramentas se tornam mais prevalentes, a consultoria prevê que as organizações enfrentarão cada vez mais trabalhadores que procuram evitá-las e iludi-las.

Os funcionários podem procurar por lacunas nas quais as métricas não capturam a atividade, em que a responsabilidade de ação não é clara ou na qual a Inteligência Artificial pode ser enganada, gerando dados falsos ou confusos. Essas atividades já foram observadas em corporações que priorizam o digital – por exemplo, motoristas de aplicativo, às vezes, trabalham para dois serviços diferentes simultaneamente, como forma de maximizar seus ganhos pessoais.

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