Crise à vista nos EUA

Rodrigo Conceição Santos (Da World of Concrete – Las Vegas)

Hipotecas em alta, desemprego em baixa e menos financiamento podem tirar os americanos do cenário literalmente concreto dos últimos anos.

Um ciclo de mais de quatro anos de crescimento pode estar chegando ao fim, pelo menos para o mercado de construção norte-americano. Essa é a visão de Ed Sullivan, economista chefe e vice-presidente sênior da Portland Cement Association (PCA), uma das associações mais representativas do setor da construção dos EUA. Segundo ele, 2019 é o ponto negativo de inflexão e o consumo de cimento deve ser um dos principais demonstrativos disso.

Entre 2018 e 2019, como previu o próprio Sullivan em reportagem do InfraROI no ano passado, o mercado alcançou o pico de 120 milhões de toneladas de cimento consumidas. A previsão é que isso caia para menos de 70 milhões e volte a crescer até o patamar 100 milhões. Esse movimento deve ocorrer nos próximos 4 anos (2019-2023).

A leitura do especialista é que, ironicamente, os fatores que levaram ao crescimento do país nos últimos sete anos – desde que a recessão de 2009 realmente foi superada a partir de 2011 – são os fantasmas da recessão que se avista para o setor da construção, em especial à cadeia do cimento.

Ele contextualiza que a baixa taxa de desemprego elevou os salários em 22% nos últimos anos, levando os empregadores a uma oferta cada vez mais restrita de mão de obra qualificada. A nova política anti-imigração norte-americana, por outra via, é um dificultador para suprir essa demanda. “Esse problema é particularmente mais doloroso na construção civil”, avalia Sullivan.

Além disso, praticamente todos os setores da construção se beneficiaram de taxas de juros federais historicamente baixas, e agora espera-se que o banco central norte-americano (Federal Reserve) aumente gradativamente as taxas até 2020 com o intuito de reduzir o potencial de inflação.

Pesquisas econômicas avaliam que a taxa de desemprego deverá ser de 3,6% neste ano e de 3,5% em 2020, enquanto a taxa de inflação será de 2,5% e 2,6%, respectivamente. Para os americanos, a taxa de desemprego ideal é abaixo de 4% e a inflação na faixa de 2%.

Com todo esse cenário, os preços das moradias subiram também, aumentando a equidade dos proprietários, uma vez que as moradias são fonte importante dos seus patrimônios. Porém, com as taxas de hipoteca em alta, o acesso a crédito para compra de novas casas está sendo reduzido aos poucos e isso deve afetar a indústria de cimento, cuja previsão ainda é de crescimento de 2,6% em 2019.

 

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