Digitalização está na mira do setor de óleo e gás

Redação – 27.08.2019 –

Evento do IBP destacou o tema nas operações offshore no Brasil

A retomada do setor de óleo e gás, com os leilões de 2017, também reativou o foco no uso de novos recursos, caso da digitalização. O tema foi um dos destaques da segunda edição do Seminário sobre Competitividade dos Projetos Offshore no Brasil, que aconteceu na última terça-feira (20/8). Promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), em parceria com a SPE Seção Brasil, o encontro reuniu especialistas da área no Rio de Janeiro.

Para Marcelo Xavier, vice-presidente da Subsea 7, falar de competitividade e não falar de digitalização significa perder uma oportunidade de discutir potencial de valor. Xavier apresentou dados do relatório anual emitido pelo Fórum Econômico Mundial, em parceria com a Accenture, que indicam que a indústria de petróleo e gás tem o potencial de destravar valor na casa US$ 1 trilhão.

“É importante observar que 90% desse montante está relacionado ao monitoramento e gerenciamento dos ciclos dos ativos. E para que o gerenciamento digital desses ativos, de fato, aconteça, vamos falar muito nos próximos anos de automatização, robotização, decisões baseadas em analytics e tudo relacionado às tecnologias vestíveis e em nuvem para gerenciamento dos sistemas de produção”, acrescentou.

A Internet das Coisas (IoT) foi o destaque de Carlos Tunes, executivo da IBM para o Watson IoT para América Latina. Segundo ele, a IoT foi o campo que atraiu maior investimento no ano passado, sendo apontado por 95% dos executivos ouvidos pelo IBV 2018 C-suite study. Mobilidade (92%), nuvem (83), inteligência artificial e learning machine (57%) e automação de processos robóticos (39%) completam as cinco principais áreas de investimento tecnológico.

“Para se ter uma ideia de como o impacto potencial da tecnologia sobre o valor do negócio está crescendo, 30 bilhões de coisas conectadas existirão no mundo até 2020. Além disso, 75% dos carros do mundo serão conectados, 95% dos eletrônicos terão tecnologia IoT e 50% de todos os ativos diagnosticarão seus próprios problemas. Em 2025, os dispositivos conectados vão gerar exponencialmente mais dados do que todas as tradicionais plataformas móveis e de computação juntas”, declarou.

Em relação à complexidade e a representatividade do segmento offshore, os números que traduzem o segmento foram apresentados por Francisco Francilmar, diretor de operações da PetroRio. De acordo com o executivo, atualmente no Brasil, 40% das unidades produtivas se localizam na Bacia de Campos, 18% na Bacia Potiguar e 16% em Sergipe-Alagoas. No que se refere às plataformas em operação no país, 56% são fixas, 30% FPSOs e 10% semissubmersível, sendo que 44% de todas as unidades têm menos de 15 anos, 15% com 15 a 20 anos e 41% com mais de 25 anos.

Para José Frey, vice-presidente de Exploração da Equinor, as oportunidades para criação de uma estrutura competitiva e previsível também se expressam em números. Segundo o executivo, na visão da Equinor, 23% do aumento mundial da oferta de petróleo em 2030 virá do Brasil e cerca de US$ 200 bilhões serão investidos no setor de upstream no país. “Também estimamos que 20 FPSOs serão contratados até 2024, e sete deles serão contratados por IOCs, o que é realmente notável, pois mostra que a abertura e a competitividade são realmente atrativos do Brasil”, sinalizou.

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