Digitalização na construção civil ainda esbarra em informações básicas

Vinicius Callegari – 13.07.2021Especialista avalia que monitoramento de ativos sem contexto é commodity e que empresas do setor podem aproveitar a experiência de segmentos como o de siderurgia

Apesar dos altos e baixos da economia brasileira e no que diz respeito a carência de infraestrutura e moradia, o impacto da construção tanto no PIB como na geração de empregos é muito grande. Por este motivo, esse segmento tem um papel importante para o desenvolvimento no país.

Segundo levantamento realizado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019 o setor continha 6,7 milhões de postos de trabalho, o que era equivalente a 7,3% de todos os empregos no Brasil.

Porém nem tudo são flores, isso porque assim como outros mercados o de construção também foi fortemente impactado pela pandemia do COVID-19, principalmente na evolução das obras de infraestrutura e industriais, devido a paralisação das atividades e incertezas quanto ao retorno delas. De acordo com o monitoramento de investimentos em infraestrutura e indústria realizado pela Neoway, maior empresa de Big Data Analytics e Inteligência Artificial da América Latina, as obras em andamento e paralisadas podem chegar a R$ 89,6 bilhões no período de 2021 a 2026.

De 2020 para cá, houve um aumento de 17,6% do que é esperado até 2025. Já no que diz respeito a ampliação de projetos/intenções, soma-se R$ 871 bilhões, crescimento de 14% comparado ao período anterior. De qualquer forma, o cenário é positivo e prevê liberações e concessões acima dos registrados em anos passados, para que o país comece a tirar seu atraso estrutural

E para que os mercados de infraestrutura e industrial possam voltar a crescer, os investimentos em tecnologias de precisão têm se tornado essenciais, principalmente no que diz respeito a benefícios, como digitalização, automação de informações e processos, visibilidade e transparência em suas etapas de execução

Assim como o mercado de siderurgia, as construtoras também possuem dificuldades em obter informações básicas (de máquinas próprias e locadas) como taxa de utilização e disponibilidade, que por sua vez são primordiais no que diz respeito ao controle do desempenho e produtividade da frota. Sem um controle fino, milhões são desperdiçados em ociosidade e atrasos de cronograma.

Para sanar esse desafio, o mercado já disponibiliza empresas especializadas que oferecem soluções que já nasceram prontas para superar esses e outros obstáculos e que permitem que seus clientes não fiquem aquém de seus concorrentes. Possuir uma plataforma de gestão de frotas que se utilize do que existe de mais moderno em internet das coisas, geoprocessamento operacional e telemetria avançada, é primordial para controlar o processo de utilização e medição dos ativos. E essa plataforma vai muito além do monitoramento. Monitoramento sem contexto é commodity. Atualmente é possível realizar um gerenciamento centralizado em um único local, o que possibilita o acompanhamento de um alto volume de informações, pessoas, ativos, entre outros dados importantes e que precisam ser acompanhados em tempo real e/ou através de relatórios específicos.

Enfim, há muito a se explorar e existem diversas possibilidades que a transformação digital pode oferecer. Antigamente, não tínhamos tanto impacto da tecnologia dentro do campo, que são capazes de monitorar o desempenho das atividades e maximizar o tempo dos trabalhos. Hoje, isso já é possível graças a IoT (internet das coisas), realidade virtual, aumentada, computação em nuvem e visão computacional, que permitem levar as obras de infraestrutura e indústrias a um outro patamar de competitividade.

Vinicius Callegari é CCO e Head de Desenvolvimento Comercial da GaussFleet, plataforma de gestão de máquinas móveis para mineradoras e siderúrgicas.

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