Digitalização pode reduzir corrupção na América Latina

Da Redação – 18.06.2018 –

Estudo do BID indica que processos eletrônicos e online podem diminuir também a burocracia

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) acaba de divulgar o estudo O fim do trâmite eterno: cidadãos, burocracia e governo digital, que analisa o impacto do uso da digitalização nos países da América Latina e Caribe. Entre os resultados apontados pelo levantamento estão a maior agilidade – os procedimentos digitais demoram 74% menos que os procedimentos presenciais – e redução no custo dos serviços. Mais impactante, porém, são os efeitos na redução da incidência de corrupção e, é claro, na burocracia.

De acordo com o estudo, concluir um único procedimento leva em média 5,4 horas na região, mas, em alguns países, chega a demorar mais de 11 horas. Oferecer procedimentos presenciais custa ao governo até 40 vezes mais do que poderia custar o serviço equivalente em uma plataforma digital, no entanto, atualmente, apenas três países, Brasil, México e Uruguai, têm mais da metade de seus procedimentos disponíveis on-line.

Na União Europeia é possível iniciar 81% dos procedimentos on-line. Na América Latina, a quantidade de procedimentos digitais é muito menor, o que contribui para que somente 7% das pessoas relatem ter resolvido seu procedimento burocrático mais recente de maneira digital.

“Este estudo oferece um guia para reformas de simplificação e digitalização de procedimentos que sejam focadas na experiência dos cidadãos e façam uso estratégico de instrumentos digitais”, disse Ana María Rodríguez-Ortiz, gerente do Departamento de Instituições para o Desenvolvimento do BID.

O estudo indica ainda que os custos dos procedimentos são mais altos para as pessoas de baixa renda, porque elas têm menos flexibilidade no horário de trabalho e perdem renda quando têm que passar horas em filas para resolver um procedimento burocrático. E 30% das pessoas de baixa renda afirmam ter pagado suborno alguma vez para conseguir completar um procedimento, enquanto 25% das pessoas de renda mais alta afirmam ter feito isso.

Os obstáculos à digitalização dos serviços incluem o fato de que apenas 66% das pessoas têm assinaturas de serviços de banda larga móvel e 11% de banda larga fixa. Somente 40% têm cartão de débito para fazer pagamentos on-line.

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