Elas são pequenas, mas o 5G precisa delas

Da Redação – 03.09.2018 –

A densificação necessária para a ativação eficiente da quinta geração (5G) depende também do melhor uso das chamadas small cells ou pequenas estações rádio base

A telefonia celular tem esse nome exatamente por operar com células de cobertura formadas por estações rádio base (ERBs) interligadas a uma ERB com capacidade de gerenciá-las e concentrar o tráfego. Cada vez mais as operadoras precisam ampliar o alcance de seu sinal e isso vem feito via a ativação de pequenas ERBs ou pequenas células (small cells, em inglês). É o caso de shopping centers e prédios corporativos, onde elas amplificam o sinal e melhoram o tráfego, complementando as estações rádio base tradicionais. Com o avanço do 5G, as pequenas células ganham ainda mais importância. A razão é simples: elas vão ajudar a densificar a cobertura, fazendo parte de uma rede heterogênea. Mas, é preciso localizá-las devidamente.

Essa é a meta colocada por duas entidades de telecomunicações – a 5G Americas e o Small Cell Forum (SCF). Elas estão empenhadas em criar soluções simplificadas para localizar as pequenas células e integrá-las à uma infraestrutura maior. Se a localização não acontecer rapidamente, as duas entidades avaliam que “corremos o riso de diminuir drasticamente os benefícios que os governos, órgãos reguladores e cidades esperam colher com a chegada da 5G”. Entre os benefícios elas listam as plataformas para cidades inteligentes e a IdC Industrial. As duas associações destacam a necessidade de alterar políticas nacionais, estaduais e municipais para reduzir o tempo e custo necessário para a instalação de células pequenas em grande escala.

Para ajudar no processo, elas lançaram o relatório Desafios e Recomendações para Localização de Células Pequenas, produzido para informar operadoras e reguladores e ajudar a implementar as células pequenas da maneira mais eficiente possível. O relatório apresenta uma série de orientações claras para ajudar cidades, órgãos regulatórios e outras partes interessadas a adotarem uma abordagem simplificada e unificada, com o objetivo de maximizar os benefícios da densificação para a população.

Densificação vai exigir de 100 a 250 células por quilômetro quadrado

Diz a entidade: “inicialmente, as operadoras de redes móveis priorizaram a instalação de células pequenas principalmente para ampliar a cobertura, no entanto, esse foco mudou e hoje, as operadoras estão instalando uma camada de células pequenas com capacidades específicas para oferecer o melhor desempenho e qualidade possível, mesmo em regiões de maior demanda”. Segundo o documento, a densificação é um processo que exige um grande número de células, mesmo para a LTE. No caso do 5G, a necessidade é ainda por mais células porque a maior capacidade de tráfego exige bandas de espectro mais altas e deve oferecer suporte para novos serviços, como aplicativos de cidades inteligentes.

Para as operadoras, a questão de escala será uma das maiores mudanças durante a migração de 4G para 5G. A 5G requer um número muito maior de células, usando muitos formatos de equipamento e locais de instalação diferentes. Em média, os projetos de densificação devem usar entre 100 e 350 células por km quadrado até 2020, com células montadas em vários tipos de infraestrutura e integradas com o mobiliário urbano e até com veículos. O relatório apresenta os resultados de uma pesquisa de operadoras realizada pela Rethink Technology Research, mostrando as barreiras que a densificação enfrenta em áreas como localização de células, backhaul e o sistema de licenças para instalação. Como resultado, as operadoras estão, em média, prorrogando o início de seus projetos de densificação por dois anos e dois meses.

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