Entidades propõem industrialização em obras públicas

Da Redação – 07/07/2017 –

Associações ligadas à construção industrializada se unem para que o governo adote medidas de estímulo ao uso da tecnologia em obras de infraestrutura e escolas.

Apesar das inúmeras vantagens proporcionadas pela industrialização no canteiro de obras, como a redução de custos e de mão de obra, os ganhos de prazo e menos perda de materiais, a solução ainda não é adotada em sua plenitude em muitos projetos de infraestrutura, onde a concretagem in loco e o baixo uso de materiais paletizados ainda são a regra. Para mudar esse cenário, diversas associações ligadas ao setor se uniram com o objetivo de sensibilizar o governo em relação ao assunto.

O primeiro passo foi dado com o apoio que o setor recebeu do governo Federal e do TCU (Tribunal de Contas da União) para as próximas edições do “Manual da Construção Industrializada”, produzido pela ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial). O objetivo, segundo Claudionel de Campos Leite, coordenador de Difusão Tecnológica da ABDI, é que as autoridades contribuam com seu conteúdo, voltado a orientar os contratantes de obras a como proceder no uso de soluções industrializadas no canteiro.

Segundo ele, o setor ganhará uma nova edição do manual, com seu conteúdo atualizado e passível de aplicação tanto em obras privadas quanto públicas. “Como na versão anterior, ele trará orientações que podem ser aplicadas a qualquer processo de construção, fornecendo um passo a passo e um checklist de cada procedimento”, afirma Campos Leite. Entre essas orientações estão os cuidados e as especificações para a correta utilização de pré-moldados de concreto na construção das estruturas de uma obra, sua fabricação, a montagem das peças e o necessário planejamento para a adoção da tecnologia.

Entre outras informações, o manual traz ainda um detalhamento dos diferentes sistemas construtivos industrializados, como as estacas para fundações, painéis celulares, estruturas aporticadas, coberturas pré-fabricadas e outros. Ainda no segundo semestre deste ano, a entidade publicará o segundo volume do manual, voltado exclusivamente para os procedimentos em instalações hidráulicas e elétricas. Já no próximo ano está previsto o lançamento do terceiro volume do manual, que trará informações sobre a aplicação de construção industrializada em obras de rodovias, ferrovias e escolas.

No âmbito Federal, a principal conquista do setor foi a assinatura de um decreto, pela Presidência da República, que cria comitês estratégicos para estudar formas de promover o uso da construção industrializada e de projetos elaborados em BIM (Building Information Modelling) nas obras de infraestrutura. Os comitês contarão com técnicos de órgãos governamentais e de ministérios como o das Cidades; da Indústria, Comércio Exterior e Serviços; da Casa Civil e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, entre outros. “Os temas discutidos pelos comitês serão de cunho técnico, regulatório e tributário, para fomentar a demanda pela construção industrializada”, completa o especialista.

Liderada pela ABDI, a ação em prol da construção industrializada conta com a participação de outras entidades representativas do setor, como a Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto), Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção, CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Associação Brasileira do Drywall, Abcem (Associação Brasileira da Construção Metálica), CBA (Centro Brasileiro da Construção em Aço), Instituto Aço Brasil (IABr) e o Departamento da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Deconcic/Fiesp).

Algumas dessas associações, assim como a própria ABDI, disponibilizam o “Manual da Construção Industrializada” em seus respectivos sites, para que os profissionais interessados possam acessá-lo ou até mesmo realizar um download do arquivo.

 

 

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