Equipamento reformado pode oferecer melhor ROI ao custar 40% menos

Por Rodrigo Conceição Santos – 22.08.2016 –

Pá carregadeira antes da reforma
Pá carregadeira antes da reforma

No ano passado, o mercado de equipamentos da linha amarela caiu 58%, fechando com a venda de cerca de 15 mil unidades, segundo a Sobratema. Para este ano, já há quem estime um volume ainda menor, na casa das 9 mil máquinas vendidas (o que significa menos de um terço do mercado de 2014). Para os próximos anos a tendência é que as vendas comecem a crescer gradativamente. Mas, até lá, as fabricantes e dealers precisam se manter minimamente lucrativas e para isso se reinventam na busca por faturamento. É o que comprova a Sotreq – que distribui Caterpillar – ao destacar o sucesso que a reforma completa de chassis de máquinas usadas vem fazendo nos últimos meses.

O processo é como um retrofit, no sentido extremo da palavra “reconstrução”. Isso significa que a máquina é revitalizada, com os componentes avariados sendo reformados ou substituídos até que o conjunto atinja padrões de fábrica semelhantes aos do equipamento novo. “Esse processo tem sido optado por frotistas que não querem comprar um equipamento novo agora, mas que precisam melhorar o índice de produtividade dos seus antigos”, explica Wilson Nogueira, da Sotreq e responsável pelo programa de reformas, chamado Caterpillar Certified Rebuild (CCR).

O mesmo equipamento depois do CCR
O mesmo equipamento depois do CCR

Mundialmente, o processo é aplicado pelos distribuidores da Caterpillar há mais de 15 anos. Aqui o CCR também não é novo. Existe desde 2012, mas começou a ganhar adesões em 2015, quando a venda de equipamentos novos caiu devido ao cenário econômico e redução do volume de obras.

“Como as implantações são relativamente recentes, não temos histórico consolidando os resultados no Brasil ainda, mas já aplicamos o CCR em pás carregadeiras de médio a grande porte, caminhões fora de estrada, tratores de esteiras e motoniveladoras”, diz Nogueira. Os donos de equipamentos de maior porte, segundo ele, são o foco do programa, já que a relação de preço da máquina nova versus o trabalho realizado no CCR permite economias significativas, fazendo com que a máquina revitalizada custe cerca de 60% do preço da nova.

O programa abarca somente o chassi. Materiais rodantes, pneus, caçambas e ferramentas de penetração de solo não compõe o CCR. “Esses itens podem ser comprados ou reformados à parte”, explica Nogueira. No programa, contudo, o elemento estrutural, inclusive as articulações, é reformado. O sistema elétrico, em muitos casos, é praticamente todo substituído, principalmente os chicotes, e no sistema hidráulico são avaliados os comandos e terminais, que podem ou não ser reaproveitados e trocados, quando necessário.

A ideia – e a venda da Sotreq promete isso – é que, ao fim do CCR, a máquina tenha as especificações e a vida útil de uma nova. Para isso, Nogueira explica, todos os componentes são avaliados de acordo com padrões de espessura e funcionalidade pré-estabelecidos pela fábrica da Caterpillar a nível mundial. “Existe um histórico internacional com os padrões aceitáveis de cada componente da máquina e isso é disposto em um manual interno, que seguimos à risca para a realização do CCR”, diz ele. “Esses padrões visam garantir que determinado componente suportará a operação durante toda a primeira vida útil do equipamento, da mesma forma que é garantido para a máquina nova”, completa.

Obvio que nesse processo nem todos os componentes são trocados. Afinal, como simplificou Nogueira, “se forem, a reforma ficará mais cara que a fabricação de uma máquina nova”. Porém, contrapõe para concluir o especialista, a confiança no projeto é tamanha que os clientes do CCR têm a mesma garantia de um equipamento novo: que geralmente é de um ano para o chassi e de dois anos para o trem de força.

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