Equipamentos pesados móveis: bem-vindos à era 4.0!

Rodrigo Conceição Santos – 07.06.2019 –

Mais de mil peças de equipamentos de construção são roubadas ou furtadas mensalmente nos Estados Unidos, de acordo com o Centro de Informação Nacional Contra o Crime. A boa notícia é que agora elas são monitoradas e mais facilmente recuperadas. Hoje em dia também há escavadeira capaz de atuar em uma cerca eletrônica, com o raio de giro limitado, evitando o choque do braço com fios de alta tensão, pessoas ou veículos que circulam em áreas urbanas. Há ainda tratores de esteiras e motoniveladoras com sensores estrategicamente posicionados para garantir angulação perfeita da lâmina na hora de cortar ou nivelar o terreno, além de pás-carregadeiras e caminhões basculantes com balanças embarcadas. Eles pesam, em tempo real, o volume carregado, evitando sobrecargas que infrinjam as leis de trânsito e comprometam os componentes da suspensão. Essas informações todas podem ser enviadas em tempo real para as centrais de controle, e já há muita gente fazendo isso. Sim, demorou, mas chegou: bem-vinda à Era 4.0, indústria de equipamentos pesados móveis.

Em só mais um exemplo, entre setembro e outubro do ano passado, a pista auxiliar de pouso e decolagem do Aeroporto de Curtiba foi revitalizada com camada asfáltica de exatos 5 mm. A proporção milimétrica de material foi garantida por uma tecnologia até então inédita no Brasil: automação da pavimentadora de asfalto. Trata-se de um controle em terceira dimensão (3D), que analisa com precisão a necessidade de asfalto a ser lançada em cada trecho da pavimentação. Com isso, a produtividade aumenta em mais de três vezes. No caso do Aeroporto de Curitiba a aplicação de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (o popular asfalto) saiu da média de 300 toneladas ao dia para mil t/d. Mais ainda: reduziu a necessidade de manobra dos caminhões que carregam o CBUQ até a pavimentadora, num processo que exige que o caminhão dê marcha ré e basculhe o material na pavimentadora a cada hora que é necessário. Com o maior controle, a quantidade de ré foi reduzida em 10 vezes e isso significa menor consumo de combustível.

Todas essas tecnologias são realidade e podem ser agregadas a um sistema de internet para transmitir os dados praticamente em tempo real para a central de controle. Agreguemos ainda as opções de controle remoto para alguns desses equipamentos, evitando a exposição de operadores em áreas de risco. Após tragédias de Mariana e Brumadinho, há vários em operação para remover os rejeitos espalhados pelas cidades próximas, por exemplo. Em minerações subterrâneas e construção de túneis ao redor do mundo também há aplicações.

Esses casos confirmam a chegada, de fato, à era da internet das coisas para os equipamentos pesados móveis, mas como em todo o ciclo tecnológico, a confirmação de uma era abre a discussão da próxima, e é isso que quero propor nesta coluna. Vamos começar a falar da segurança da informação?

Se topas, deixo aqui a provocação de que esse é assunto debatido já há um tempo em indústrias mais modernas. Principalmente porque haverá mais de 20 milhões de “coisas” conectadas no mundo no ano que vem e o Gartner estimou que 20% das empresas já sofreram pelo menos um ataque relacionado a dispositivos conectados entre 2016 e 2018.

Não por menos, apenas em 2018 a segurança da internet das coisas movimentou mais de U$ 1,5 bilhão mundialmente. Recentemente a Kaspersky Lab mapeou mais de 7 mil amostras de programas nocivos para a internet das coisas e muito provavelmente algum desses pode prejudicar sensores de equipamentos pesados conectados.

Para o setor de equipmentos móveis, no entanto, o assunto segurança da IoT parece distante, com poucas avaliações a respeito, incluindo uma da Verizon publicada pelo Equipment World recentemente. Se a lógica prevalecer, contudo, o caminho não tem volta e o tema será necessariamente corriqueiro logo logo. Resta saber se essa indústria estará familiarizada com o assunto ou se ficará para o final da fila novamente.

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