Estádios high tech mostram a cara da construção 4.0

Da Redação – 15.08.2018 – 

Arenas com redes com e sem fio e inúmeros sensores são uma modalidade nova de prédios inteligentes.

Arena NRG, em Houston

Dois profissionais de empresas focadas em infraestrutura de telecomunicações e TI (TIC) indicam o que está acontecendo nas grandes instalações esportivas ao redor do mundo. E mais do que isso: explicam como as inovações ampliam a rentabilidade dessas construções, seja por viabilizar a oferta de serviços ou pela redução de custos, como a economia de energia. É uma abordagem diferente da construção de elefantes brancos, alguns deles infelizmente no Brasil e herança da Copa de 2014. Vamos aos dados.

Melissa Strait, jornalista que trabalha como assistente executiva da diretoria de tecnologia da CommScope, fabricante norte-americana de soluções de telecomunicações, mostra a realidade nos Estados Unidos. A ideia das novas arenas, segundo ela, é a de “construções conectadas e inteligentes para atrair mais público”. Para Melissa, a conexão em arenas e autódromos é quase obrigatória e deve permitir que os usuários desfrutem de uma “permanência satisfatória”. Independente de estarem lá para ver um jogo ou um espetáculo de música.

De acordo com ela, construir uma rede de primeira linha tem um custo, mas o retorno é garantido. E ele vem na forma de serviços. Imagine que a infraestrutura precisa garantir desde as transações nas lanchonetes até o envio de fotos em tempo real para alimentar outro tipo de rede, as sociais. É rede suportando rede. Literalmente. E, assim como aeroportos, os estádios passarão a funcionar como pequenas cidades inteligentes.

Arena texana tem quase 800 antenas dentro e fora do estádio
Um exemplo real é o Estádio NRG, em Houston (Texas), que conta com 783 antenas estrategicamente espalhadas não só dentro do estádio, mas também em torno da arena. “Dessa forma, cria-se um ecossistema de hotéis, meios de transporte, restaurantes e outros estabelecimentos. Toda uma experiência envolvente para que as pessoas prefiram ir ao estádio a ficar em casa e ver o jogo pela televisão”, argumenta a profissional da Commscope.

O autódromo Daytona International Speedway, também nos Estados Unidos, é outro caso onde a rede fixa em cobre e fibra óptica serve para aumentar a capacidade da infraestrutura sem fio Wi-Fi. E há iniciativas na América Latina, como o estádio de Monterrey, no México. Melissa lembra que a arena mexicana tem um avançado sistema para tornar mais eficiente a rede celular, ampliar a cobertura das conexões sem fio e garantir o correto funcionamento dos sistemas de vídeo e áudio.

Augusto Panachão, diretor de Soluções e Tecnologia da Dimension Data, empresa da área de TI, tem o mesmo pensamento da profissional da Commscope. Segundo ele, a Internet das Coisas (IoT) é outro recurso que muda a experiência dos espectadores quando se fala em assistir as competições ao vivo. E para se ter recursos de IoT é preciso ter infraestrutura – com ou sem fio ou a combinação delas – e um conjunto de sensores.

É esse cenário de infraestrutura com a malha de fibra óptica interligando as antenas de Wi-Fi, e que permitem o tráfego de dados captado dos sensores que tornam os estádios mais inteligentes. Estamos falando de recursos que incluem alarmes de segurança, termostatos, medidores inteligentes e sistemas de tickets eletrônicos. “Isso ajuda na segurança pública, no compartilhamento das experiências das pessoas nos meios digitais, nas informações recebidas pelas emissoras de televisão e até em um consumo mais inteligente de energia do prédio, reduzindo custos”, argumenta Panachão.

Muito além da construção
Ele cita três exemplos que extrapolam a construção em si. O primeiro é da Copa de 2014, quando um sistema de câmeras foi usado para validar os gols. Os estádios foram equipados com 14 câmeras de alta velocidade focadas em capturar imagens de todos os pontos onde estavam os goleiros. “Assim que a bola cruzava a linha, o sistema enviava a confirmação do gol imediatamente a um relógio que o árbitro usava”, complementa.

O segundo caso vem dos Jogos Olímpicos de Inverno deste ano, quando a Intel disponibilizou mais de 50 horas de cobertura para serem vistas em realidade virtual (VR). Através de um aplicativo, era possível vivenciar, por exemplo, a velocidade e a altura das manobras de snowboard com óculos VR ou mesmo em celulares iPhone e Android.

O terceiro exemplo acontece no Tour de France, maior competição de ciclismo do mundo. Por meio de dispositivos GPS, instalados embaixo do selim de cada bicicleta, o sistema montado coleta dados e os combina com informações históricas e condições climáticas regionais. A partir da análise das informações, o recurso gera insights em tempo real sobre a competição, incluindo velocidade média de cada ciclista, distância entre corredores e previsões da corrida.

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