Fumaça preta em baixa em São Paulo

Por Olimpio Alvares – 15.05.2018 –

Níveis de fumaça preta e teor de enxofre, entre outros, estariam nos níveis especificados pela legislação brasileira 

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) realizou, em 2017, nas ruas e nas garagens das empresas de transporte urbano, mais uma campanha de fiscalização dos níveis de opacidade (fumaça preta) de ônibus e de caminhões, da integridade do sistema de abastecimento e injeção de Arla-32, bem como da qualidade da solução de ureia e do real teor de enxofre contido no diesel S10 (10 partes por milhão) utilizado pelas empresas.

Nas 19 ações de fiscalização em vias públicas (caminhões) e 16 visitas técnicas realizadas nas garagens// (ônibus urbanos), foram testados, quanto aos níveis de opacidade, um total 310 veículos, sendo 29 notificados por apresentarem alguma característica que impediu a realização do teste.

Nas fiscalizações realizadas nas garagens das empresas concessionárias associadas ao SPUrbanuss, somente 01 ônibus (de um total de 136 ônibus fiscalizados) não atendeu por algum motivo os critérios e limites regulamentados na Resolução No 418/2009 do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama e no Anexo 12 do Decreto Estadual 8468/1976, atualizado pelo Decreto Estadual No 54.487/2009.

Esse resultado constata, objetivamente, que a frota de ônibus urbanos de São Paulo está entre as mais limpas do mundo; ele é compatível com os baixíssimos níveis de reprovação na verificação inicial, conforme observado nas inspeções anuais no Programa IM/SP da Prefeitura de São Paulo, operado pela empresa Controlar entre 2008 e 2013.

Empresas visitadas atendem níveis de Arla-32 especificados

O Arla-32 (solução de 32% de ureia) é o insumo que garante a eficiência do reator químico (SCR – Selective Catalytic Reduction System) dos veículos de Classe Tecnológica Euro 5 (Fase P7 do Proconve) e, consequentemente, os  níveis mais reduzidos de emissão de óxidos de nitrogênio – NOx – um dos poluentes tóxicos precursores da formação do danoso ozônio troposférico (O3), também tóxico para quem o inala, considerado como o mais crítico dos poluentes, depois do material particulado ultrafino (MP2.5).

Nenhuma não-conformidade no sistema de injeção e na qualidade da solução de ureia (Arla 32) foi encontrada nos veículos inspecionados nas 16 empresas visitadas. O mesmo ocorreu quanto ao teor de enxofre do diesel S10 utilizado na operação. Novamente, é importante ressaltar, que se trata de resultado típico das melhores e mais bem mantidas frotas transportadoras do planeta.

Essa excelência observada na manutenção da frota de ônibus em São Paulo não é fruto do acaso.  É resultado de uma longa tradição de harmoniosa colaboração das empresas com os organismos oficiais gestores de transporte público e meio ambiente do Município e do Estado de São Paulo; além, é claro, da cultura da qualidade ambiental forjada nas empresas ao longo das últimas décadas.

Equipes de manutenção estão entre os destaques das concessionárias 

Entretanto, essa virtuose não seria possível sem o intenso treinamento e o alto padrão de qualidade técnico-profissional das equipes de manutenção, operação e logística das operadoras, que realizam os serviços de sua responsabilidade de forma ambientalmente consciente e dedicada, extraindo sempre os melhores resultados ambientais do material rodante.

Entre as diversas ações ambientais realizadas sistematicamente pelas empresas, destacam-se: participação em treinamentos conceituais e teóricos ministrados pela Cetesb, São Paulo Transportes – SPTrans e fabricantes de veículos, sobre meio ambiente e práticas sustentáveis de manutenção e manejo de garagens; participação no Programa de Melhoria de Manutenção de Veículos a Diesel – PMMVD, coordenado pela Cetesb, que estabelece, há cerca de duas décadas, o compromisso firme e auditado das empresas em realizar o monitoramento frequente da frota quanto aos níveis de opacidade; atividades de monitoramento de emissão de poluentes realizado de modo amostral pela SPTrans; atividades permanentes de autofiscalização em garagens com o uso do equipamento opacímetro digital (item diário de manutenção preventiva) e no campo, mediante o uso da Escala de Ringelmann (verificação visual do grau de coloração da fumaça); implementação de práticas sustentáveis de recepção, manuseio e armazenagem de combustíveis; realização, em parceria com gestores governamentais e fabricantes, de toda sorte de testes de novas tecnologias, combustíveis, sistemas de controle, componentes e práticas de gestão ambiental e redução de emissões; adoção de práticas sustentáveis de manejo e descarte de resíduos, peças de reposição, óleo usado, baterias e pneus; tratamento de águas de lavagem dos veículos, coleta de água de chuva, entre outras atividades sustentáveis.

Esse abrangente leque de ações compõe um amplo e consistente mecanismo de gestão ambiental, que é motivo de orgulho para empresários e colaboradores. Assim, nos credenciamos para poder afirmar com convicção, que tudo isso também é motivo de orgulho para os próprios gestores governamentais e auditores responsáveis pela supervisão, fiscalização e certificação da qualidade ambiental do sistema paulistano de transporte coletivo de passageiros.

Olimpio Alvares é especialista em emissões veiculares e Transporte Sustentável e Secretário Executivo da Comissão de Meio Ambiente da Associação Nacional de Transportes Públicos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *