Indústria naval se prepara para a retomada dos negócios

Da Redação – 21/07/2017 –

Próximos leilões do pré-sal e financiamento com recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) reanimam o setor diante da oportunidade de novos contratos.

Após a paralisação nos negócios, devido à Operação Lava-Jato e seu impacto sobre o setor de petróleo, a indústria naval e de montagens offshore começa a vislumbrar uma recuperação em suas atividades. Com os leilões programados pelo governo Federal para novos campos de exploração de óleo e gás, que ocorrerão este ano e em 2018, o setor deve atrair cerca de 60 bilhões de reais em novos investimentos. Três deles estão previstos ainda para 2017, sendo dois para operações em áreas do pré-sal e um de pós-sal.

Na avaliação de Karine Fragoso, gerente de petróleo, gás e naval da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), esta é a oportunidade para o setor recuperar as perdas acumuladas nos últimos anos. “Com a entrada de outras operadoras no país, juntamente com a Petrobras, podemos ter um aumento significativo da demanda.” Ela avalia que o incremento de novas operações para exploração de óleo e gás compensará não apenas a descontinuação de alguns projetos, mas também as perdas ocasionadas pela revisão na lei de conteúdo local para empreendimentos no setor.

Karine avalia que o Brasil ainda oferece um ambiente atrativo para a indústria naval e offshore, com potencial de desenvolvimento de novos negócios. “Temos capacidade para reaquecer o setor, mas antes precisamos coordenar as ações entre todos os players desta indústria para podermos alcançar este objetivo”, diz ela. Questões como o recente descomissionamento de algumas plataformas e a desmobilização de importantes polos navais ainda precisam ser resolvido.

Mesmo assim, o mercado recebeu com entusiasmo a criação de uma linha de financiamento de 9,15 bilhões de reais para a indústria naval. Esse é o valor que o Fundo da Marinha Mercante (FMM) anunciou, no início deste ano, para aporte em projetos do setor. Do volume de recursos destinado pelo FMM, 7,7 bilhões de reais serão destinados a novos projetos e o restante será reservado para suplementação de recursos dos projetos em andamento.

O diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Mário Povia, salienta que o FMM é uma das principais fontes de investimento do setor. “Sem dúvida nenhuma, estes aportes podem impulsionar as aplicações financeiras no mercado novamente, principalmente em momentos como este, em que os bancos privados consideram o nível de risco em patamares mais elevados e são mais restritivos em relação ao crédito.”

Para Marcelo Campos, presidente da Câmara Setorial de Equipamentos Navais, Offshore e Onshore da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a solução para o setor é a diversificação, o que implica em a indústria naval migrar para outros segmentos. Nessa linha, os investimentos no modal hidroviário podem representar uma alternativa para a retomada do setor.

Do total de financiamentos previsto pelo FMM, a navegação de cabotagem dispõe de 3,28 bilhões em crédito, enquanto 1,3 bilhão de reais se destinam a apoio marítimo, 27 milhões irão para a navegação interior e 6,46 milhões para embarcações de transporte de passageiros. Campos destaca que o setor naval pode se voltar para outros segmentos de mercado cujo potencial ainda é pouco explorado, como o modal hidroviário e o transporte de passageiros. “Se vislumbrarmos todas essas alternativas, juntamente com os serviços de manutenção e reparos, podemos reaquecer a indústria naval brasileira”, ele completa.

 

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