Infraestrutura metroviária em SP: falsa ou verdadeira?

Da Redação – 06.10.2017 – 

Linha Amarela do Metro de São Paulo

São Paulo teria aportes de R$ 35 bilhões nos projetos em andamento, incluindo 28 estações de metrô até 2021, mas nem sempre as previsões são atingidas conforme checagem lançada nessa semana pela Agência Lupa

A infraestrutura de metrô e de trens metropolitanos de São Paulo (CPTM) faz parte do dia a dia de milhões de pessoas e, como acontece em várias áreas, as informações nem sempre são as mesmas. Nessa nota temos dois pontos de vista. Uma é oficial, citada pela organização da NT Expo, evento que reúne o ecossistema metro-ferroviário em novembro em São Paulo. A segunda envolve a avaliação da Agência Lupa, uma organização que segue exemplos de outras entidades fora do Brasil interessadas em checar informações oficiais. Vamos aos números, que sem sempre estão comparando os mesmos assuntos, mas que nos ajudam a ter uma opinião mais balanceada.

Na avaliação da NT Expo, o governo paulista pretende inaugurar mais 28 estações até 2021 e os investimentos envolvidos somariam mais de R$ 35 bilhões. Com isso, a malha metroviária de São Paulo, que tem 80 km e é a maior do país, chegaria a 110 km ao longo de 99 estações. Para esse ano, a meta seria ativar o segundo trecho da ampliação da Linha 5-Lilás, com seis novas estações até dezembro. Outro trajeto que está previsto para ser expandido ainda neste ano é o da Linha 4-Amarela, mantido em parceria com a ViaQuatro, por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). A estimativa é que mais duas estações deste trecho sejam lançadas nos próximos meses: Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire.

Avançando para 2018, os dados oficiais falam na entrega da Linha 15-Prata, o famoso monotrilho. Seriam oito estações que contemplarão a zona leste de São Paulo. Ainda no primeiro semestre do ano que vem, a previsão é de que a estação São Paulo-Morumbi, na zona sul, seja entregue pela Linha 4-Amarela. Já a Linha 5-Lilás, essa de responsabilidade do Metrô, deve ser finalizada no segundo semestre do ano. Com o término dessa amplificação do trajeto, que custará cerca de R$ 10 bilhões ao total, a linha, que atualmente transporta cerca de 270 mil pessoas por dia entre Capão Redondo e Adolfo Pinheiro, passará a atender 780 mil (de Capão Redondo à Chácara Klabin).

Vamos pular mais um ano? Em 2019, o objetivo oficial é finalizar as obras e iniciar as operações da Linha 17-Ouro, trajeto com oito estações, incluindo a de Congonhas que faz a interligação com o aeroporto. Já para 2020, a proposta é que a Linha 4-Amarela também deve ser concluída, ao receber sua última estação no segundo semestre do ano. Finalmente, em 2021, o planejamento chegaria ao fim, sendo que março marcaria a entrega da última estação da Linha 15-Prata.

Bom, aqui acabam os dados oficiais em relação ao metrô paulista e começa a checagem feita pela Agência Lupa. Os  resultados não são tão otimistas. Intitulada “O metrô, os trens de São Paulo e as promessas de Geraldo Alckmin”, a reportagem foi assinada por Tiago Aguiar e publicada nessa quarta, dia 04. A publicação destaca que “em 2011, quando Alckmin assumiu seu terceiro mandato, o metrô tinha 60 estações, e a CPTM, 89. De lá para cá, 11 novas paradas de metrô e 3 no sistema ferroviário foram inauguradas”. Para avaliar as promessas feitas oficialmente, a Agência Lupa volta ao passado.

“Até 2014, o metrô de São Paulo ultrapassará os 100 km de extensão”, relata uma nota oficial do governo paulista em março de 2012. A meta não foi atingida após três anos, como se viu acima. Oficialmente são 81,1 km (a NT Expo fala em 80 km). Na avaliação da Secretaria de Transportes Metropolitanos (STM), “o metrô resolveu priorizar as obras mais avançadas e revisou aquelas que ainda começariam. Por isso, as obras do monotrilho da Linha 17-Ouro tiveram seu ritmo reduzido e os contratos de extensão da Linha 2-Verde foram suspensos. Além disso, na Linha 4-Amarela o contrato foi rescindido uma vez que o consórcio vencedor abandonou a obra”, destaca a Agência Lupa.

Outro revés – a entrega de mais cinco estações na linha 4 do metrô entre 2013 e 2014 – foi revelado pela checagem. “Apesar da promessa, desde então, somente a estação Fradique Coutinho foi inaugurada na linha que hoje liga a estação da Luz ao Butantã. Essa estação abriu as portas em novembro de 2014, dentro do prazo prometido, mas as outras quatro tiveram novo calendário anunciado pelo governo em agosto de 2016”, relata o material da Agência Lupa. Oficialmente: a STM especifica que as obras foram “paralisadas no final de 2015, quando o consórcio Corsán-Corviam abandonou os serviços”.

Outra assertiva negativa, mas não tão impactante, aconteceu em relação à inauguração de três estações da Linha 5 até julho de 2017. Na verdade, elas foram ativadas em setembro último. Apontada, no entanto, como contraditória é a promessa de entregar mais seis estações da Linha 5 até dezembro desse ano. Na avaliação oficial, a STM destacou que “construções dessa magnitude estão sujeitas a intercorrências, como demora na obtenção de licenças ambientais e dificuldades nas desapropriações, além de obstáculos que podem surgir durante a execução do projeto em uma cidade bastante adensada e com subsolo parcialmente desconhecido”.

Em outubro de 2013, o governador Alckmin prometeu que a linha 13, da CPTM, ligando a estação de Engenheiro Goulart ao Aeroporto de Cumbica estaria pronta em dois anos. A infraestrutura – de 12,2 km, estipulada para interligar a Zona Leste de São Paulo ao Aeroporto Internacional de Guarulhos por trem, não está pronta até hoje. “De acordo com o calendário oficial atual, a operação está prevista para começar em março de 2018. As obras foram iniciadas em dezembro de 2013, dois meses após a declaração de Alckmin”, destaca a Agência Lupa. O lado oficial? Segundo a STM, “houve alterações no cronograma” devido à demora na obtenção das licenças ambientais e em uma demora maior na aprovação do projeto de transposição das rodovias Presidente Dutra e Ayrton Senna junto às agências ANTT e Artesp, entre outros”. Com a palavra, o leitor.

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