Intelbras planeja faturar R$ 2 bilhões em 2019

Por Nelson Valêncio (*) – 10.05.2017

Fabricante catarinense aposta no crescimento do setor de redes, principalmente no Nordeste, como impulsionador do processo

A área de redes da Intelbras encontrou seu norte um pouco mais à leste do Brasil. Os nove estados do Nordeste apresentaram um crescimento médio de 40%, acima do índice nacional de 30% para o segmento de redes. E, dentro do segmento de redes, os provedores regionais são a estrela, pois além de comprarem equipamentos para a ativação de infraestrutura, eles impulsionam a venda de dispositivos adotados nos usuários finais, caso dos roteadores da marca.

Só para se ter uma ideia, dos cerca de 3 mil provedores atualmente atendidos pela fabricante, 888 são do Nordeste. Aliás, os provedores devem ter, dentro da empresa, um crescimento superior a 30% em 2018. Essa é uma das razões que explicam um evento como a FutureISP, que apesar de alguns pontos a melhorar, tornou-se um hub para o mercado do se  chamava antigamente de ISPs. Bom, e onde ficam os R$ 2 bilhões de 2019?

O faturamento bilionário previsto para daqui a dois anos deve ser fruto das quatro áreas onde a Intelbras atua – telecomunicações, segurança e energia, além de redes. A avaliação é de Amilcar Scheffer, diretor da Unidade de Redes. De acordo com ele, a empresa vem se preparando para esse resultado há alguns anos. Um exemplo é a fabricação local, quando a demanda torna-se potencial. Dos cinco milhões de equipamentos produzidos anualmente para a área de redes, 80% é produzida localmente, o que significa financiamento via linhas como o do BNDES, e o suporte local.

Área de redes cresce, em média, 30% na Intelbras

Os importados são supervisionados na origem e devem atender condições de alta temperatura: a tropicalização às vezes obriga que dispositivos de rede passiva óptica, por exemplo, sejam enclausurados, o que eleva a temperatura ambiente a níveis como 70 C. Outra iniciativa que pesa é a ativação assistida em redes passivas ópticas (PON), que pode ser complexa para pequenas empresas. O executivo da Intelbras lembra que não é incomum que os técnicos de Santa Catarina fiquem horas ao telefone com os provedores do interior do Brasil na hora de implantar o PON.

O investimento em provedores também passa por uma espécie de consultoria. É o caso da indicação de parceiros para o planejamento de redes. De olho nas cidades menores do país, que estão fora do alvo das grandes operadoras, muitas vezes os provedores tem tido um atitude ousada até demais. Scheffer lembra que há relatos de três deles implantando uma rede óptica na mesma cidade. O papel da fabricante não inclui o planejamento em si, mas envolve parceiros especializados no assunto até mesmo para que a viabilidade financeira de um projeto como esse seja avaliado com calma.

Há o outro lado da moeda, como destaca o supervisor de Vendas Luiz Ubaldo Siqueira Júnior, que atende diretamente o setor. De acordo com ele, já existem iniciativas de compartilhamento de rede entre pequenos provedores. Os que, mesmo assim continuam se arriscando além do necessário, provavelmente serão alvo de aquisições de provedores maiores. Não é uma certeza.

“No passado, ouvimos que as grandes operadoras iriam comprar os provedores com projetos interessantes, o que não aconteceu”, lembra Scheffer. Para ele, o que pode ocorrer é a aquisição regional. De qualquer forma, estamos falando em um universo de 9 mil empresas com rastreamento pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), sendo que mais de 90% delas tem até 5 mil assinantes. Sozinhas, são pequenas, mas juntas representam 16% dos acessos de banda larga do país, formando uma espécie de quarta grande operadora e pesaram significativamente (a empresa não revela quanto) no faturamento de R$ 1,6 bilhão registrados pela Intelbras no recente balanço.

(*) O editor Nelson Valêncio está em Olinda, no FutureISP, a convite da Intelbras.

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