IoT aplicada às cidades começa a aparecer em MG, SP e no Sul

Da Redação – 26.05.2017 – 

Entrevista exclusiva – As Cidades Inteligentes irão conectar tudo o que pode ser conectado, segundo João Carlos Lopes Fernandes, professor da área de engenharia da computação do Instituto Mauá de Tecnologia. A instituição, que tem campi na capital paulista e em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, mantém um olhar atento na chamada Internet das Coisas (IoT). Nessa entrevista, Fernandes indica como tem sido o avanço da integração entre medidores inteligentes, semáforos, sensores de latas de lixo, estacionamentos, ônibus, metrô e “tudo mais que possa ser conectado”. O resultado, de acordo com ele, é tornar as cidades mais seguras, limpas, eficientes e confortáveis. Mas o processo também tem desafios e, no caso do Brasil, alguns deles são velhos conhecidos.

Infraroi – Desde quando e por que razão o Instituto Mauá passou a trabalhar com IoT e que tipo de aplicações são realizadas na instalação atual?

João Carlos Lopes Fernandes (JCLF): Existem vários trabalhos de conclusão de curso (TCC) ligados à Internet das Coisas (IoT), que começaram a tomar mais corpo no final de 2013 e início de 2014,  na área de controle e monitoramento entre outros. Atualmente existem trabalhos ligados a casas e edifícios Inteligentes, saúde e comunicações móveis, juntamente com serviços baseados em localização (LBS). Eles revelam oportunidades enormes para aplicações envolvendo carros, caminhões e drones: desde gerenciamento de frota, rastreamento de ativos, seguros baseados no uso, proteção contra roubos e até mesmo a manutenção de veículos e sua operação autônoma.

Infraroi – Em termos de cidades e considerando a realidade brasileira, quais são as aplicações de IoT mais viáveis e prioritárias no país?

Fernandes, do Instituto Mauá: IoT deve conectar tudo o que for conectável
Fernandes, do Instituto Mauá: cidades inteligentes ganham com a conexão de serviços e ativos

JCLF: Controle de iluminação, mobilidade urbana, controle elétrico/hídrico e monitoramento ligado à saúde e segurança patrimonial. As operadoras de telefonia celular estão de olho nestas soluções, pois serão os fornecedores da infraestrutura.

Infraroi: Que cidades saem na frente – em termos de Brasil – na aplicação de IoT?

JCLF: O principal destaque em nível de projetos encontra-se no Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí, localizada no sul de Minas Gerais, o Instituto Nacional de Telecomunicações , o Inatel. Ele assinou um acordo, em 2016, com o governo da Coréia do Sul para a implantação de um programa de cooperação em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), 5G e Internet das Coisas (IoT) como principal vertente. Agora, eles instalam o “Campus inteligente” (Smart Campus) para aplicar toda a tecnologia para IoT desenvolvida no Inatel e nas empresas da cidade. Depois possuímos inciativas na região Sul, incluindo o controle de horário de ônibus e, em São Paulo, o monitoramento cardíaco móvel.

Infraroi – Quais são as principais barreiras do avanço de IoT nas cidades brasileiras?

JCLF: Muitos dos desafios colocados por aplicações e soluções baseadas em IoT, estão ligadas a “segurança da informação e a proteção de dados pessoais”, não ficaram bem claras nas legislações específicas (Marco Civil da Internet, Código de Defesa do Consumidor) ou ainda estão em discussão legislativa (como os projetos para a criação de uma Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais). A Anatel deve participar das regulamentações dos dispositivos de IoT e certificá-los para o Brasil. Outro problema é a tributação.

Infraroi – Como compatibilizar essas demandas por IoT com a situação financeira das cidades? Ou é possível mostrar via métricas de retorno de investimento (ROI) a viabilidade de aplicação?

JCLF: A IoT é uma oportunidade ao desenvolvimento econômico do Brasil que auxiliará na modernizar da indústria tornando-a mais competitiva, melhorando a prestação de serviços e sua produção. Desta forma, o ROI será mais rápido e seguro. Tornando as cidades mais inteligentes, conseguiremos melhorar a educação e a saúde públicas, tornando o governo “mais” produtivo e menos burocrático. Serão necessárias, no entanto, Parcerias Públicas e Privadas (PPP) para modernização das cidades e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida. Um bom exemplo é o volume das conexões que expõe o grande potencial econômico. A agricultura oferece uma grande oportunidade. Em 2015, havia 45 mil colheitadeiras em uso e menos de 10% eram conectadas. Já conectar o rebanho bovino – e realizar seu rastreamento – também pode diminuir os custos.

Infraroi – Que cidades fora do Brasil poderiam ser tomadas como modelo de aplicação de IoT e por que?       

JCLF: San Diego, na Califórnia, trabalha para conectar absolutamente tudo à internet – ônibus públicos, ambulâncias, carros de polícia, sensores de temperatura e ambiente, medidor da qualidade do ar e da água, entre outros. Todos os sensores estarão conectados por meio da mesma infraestrutura de rede. Barcelona (Espanha), Copenhagen (Dinamarca), Berlim (Alemanha), Londres (Inglaterra), além da região do Oriente Médio e de algumas localidades na China e no Japão. São locais que possuem soluções interessantes na área de transporte público e privado, agricultura, energia, entre outros.

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