Marcopolo aposta no transporte metroferroviário

Redação – 03.03.2021 –

Fabricante avalia potencial de crescimento para os segmentos urbanos e intercidades e para o de turismo

A entrada da gaúcha Marcopolo no mercado metroferroviário aconteceu em 2019 com a divisão Marcopolo Rail, que lançou seu primeiro veículo em dezembro do ano passado. Chamado de VLT Prosper, o equipamento terá sua primeira utilização em uma rota turística operada pela Giordani Turismo no Sul do Brasil. Agora, a companhia traça um cenário possível de crescimento levando em conta as tendências mundiais de mobilidade urbana.

De acordo com Petras Amaral, business head da Marcopolo Next e executivo responsável pela Marcopolo Rail, o sistema metroferroviário brasileiro precisa ser repensado para atender adequadamente à crescente demanda da população. Apenas 13 regiões metropolitanas no país, de um total de 63 de médio e grande porte, contam com malhas metroferroviárias.

E, apesar de transportarem mais de 11 milhões de passageiros por dia, ainda assim, apresentam capacidade abaixo da demanda, aponta estudo Setor Metroferroviário Brasileiro, da ANPTrilhos.

“Trens atendem a várias necessidades no que se refere à capacidade, distância e velocidade. Eles também se alinham às tendências mundiais de mobilidade relacionadas à conexão e ao compartilhamento, uma vez que são complementares aos outros modais como bicicletas, motocicletas, carros, ônibus e aviões”, comenta Amaral. “Neste último, temos como ótimos exemplos os people movers que circulam em aeroportos de diversos países e que, em breve, teremos no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo”, diz.

Na visão do executivo, os veículos sob trilhos apresentam uma capacidade bem maior por área ocupada que outros meios de transporte e vão ao encontro de outra tendência da mobilidade global: a eletrificação, que contribui para que o sistema seja ambientalmente amigável.

“O setor metroferroviário apresenta grande potencial de crescimento no Brasil, tanto para os segmentos urbanos e intercidades quanto para o turístico – apesar de estarmos longe dos países em que esse modal já atua integrado ao deslocamento diário de passageiros há décadas ou mesmo séculos”, analisa.

O especialista lembra que, em geral, as ferrovias requerem infraestrutura de alto custo, investimentos de longo prazo e comprometimento do poder público. O retorno compensa porque pela longa duração dos materiais rodantes e dos benefícios nos deslocamentos das populações, proporcionando a redução de custos e tarifas no transporte público.

Além disso, o Brasil tem capacidade industrial instalada, expertise e tecnologia para avançar no transporte sobre trilhos, e, aos poucos, surgem projetos em diversas cidades, impulsionados por parcerias público-privadas. Esse potencial poderá ser explorado também no desenvolvimento e implantação deste setor também nos países vizinhos da América Latina.

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