Mineração é fundamental, mas com responsabilidade

Nelson Valêncio – 01.08.2019 – O mês de agosto começa e a gente fica com um certo medo. Sempre foi um mês de notícias trágicas para o país, mas espero que nenhuma delas esteja ligada à mineração, que vem passando por vários terremotos com as tragédias – praticamente anunciadas – de rompimento das barragens. Os acidentes trouxeram o tema para o centro do palco, mas também reiniciaram a demonização da mineração. Para enfrentar o assunto a última coisa que precisamos é uma visão simplista binária, de bem contra o mal. Disso já estamos fartos na política e os resultados é o que temos ai.

Para a mineração, o importante é lembrar que se trata de uma atividade fundamental para a humanidade. Não vou longe na defesa: escrevo num notebook que tem bateria de íons de lítio, moro numa casa feita de tijolo e cimento, cal etc, ou seja, repleta de insumos minerais. Se viajo de avião, participo involuntariamente da evolução fantástica dos novos materiais que a indústria aeronáutica utiliza na sua linha de produção. Os exemplos podem se repetir infinitamente, mas não é em razão desse conforto que vamos defender a morte trágica de centenas de pessoas. A mineração precisa ser responsável.

E uma das formas de atuar responsavelmente é adotar a gestão da água de forma eficiente. Mesmo porque grande maioria das mineradoras adota o recurso em alguma etapa. E o uso acumulado da água, obviamente, vai levar à geração das barragens de rejeitos. Sabe-se que várias plantas adotam o reuso da água, diminuindo a formação de bacias de rejeitos, assim como outras avançam em processamento com uso mínimo de água. No Chile, temos plantas de processamento utilizando a água do mar, transportada a distancias de mais de 140 km e dessalinizada antes do uso.

Aqui, no Brasil, a gestão igualmente pode avançar e melhorar. Uma iniciativa é aproveitar a aplicação de Internet das Coisas (IoT), com uso de sensores nas barragens, monitorando o estado operacional delas e permitindo ações preventivas contra qualquer eventualidade. A atuação incisiva dos órgãos de fiscalização é outro caminho. E precisamos parar de demonizar também a política ambiental e desmontar a estrutura do Ibama e de outras instituições. O país não ganha nada com isso.

Acima de tudo, no entanto, é preciso que as próprias mineradoras apliquem ainda mais parte dos lucros que obtém com o setor em inovações tecnológicas que reduzam o uso de água e, por consequente, a ampliação das bacias de rejeitos. São elas as primeiras a darem o exemplo. Sem isso, o que vai aparecer na mídia são as imagens chocantes e verdadeiras do rompimento de barragens.

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