NEC reinventa-se no Brasil e telecomunicações continua forte

Da redação – 19.09.2016 –

Na área de integração, empresa trocou a parceira Cisco pela Juniper. A operação local também avalia em campo e há mais de um ano o uso de CPE residenciais para a Telefônica, outro acordo em nível mundial.

O segmento de telecomunicações, que responde aproximadamente por um quarto das operações da NEC no Japão, tem outro peso no Brasil. Na matriz, ele divide espaço com tecnologias avançadas como reconhecimento facial. Aqui, a área continua forte, marcando presença, com aproximadamente 75% dos negócios, complementada pela divisão de soluções para corporações. Embora predominante, o segmento tem enfrentado mudanças. Uma das mais recentes é a troca – em nível mundial e com reflexos no país – da parceria com a Cisco. Agora as atividades de integração, responsáveis pela metade da operação de telecomunicações no Brasil, passam a usar o know how e os produtos da também norte-americana Juniper.

Um dos resultados da mudança é a troca de experiências: a fabricante dos Estados Unidos tem avançado na aplicação de rede definida por software (SDN) na área de CPEs corporativos, inclusive com ativação real de serviços na Verizon. Explicando: a Juniper é um dos parceiros da operadora americana na adoção do conceito de equipamento instalado no cliente (CPE) virtualizado. O CPE nada mais é do que a “caixinha” inteligente que fica implementada no assinante e que permite a integração com a operadora de forma inteligente. Com a virtualização dessa “caixinha”, as atividades de provisionamento de serviço e manutenção, por exemplo, podem ser feitas remotamente. O próprio assinante, aliás, pode autoprovisionar os serviços usando um portal específico.

Pois bem, a NEC é parceira mundial da Telefonica para ativação do mesmo CPE, mas versão para assinante residencial (na Verizon a solução está concentrada no mercado corporativo). Nesse caso, a avaliação também acontece na prática e há mais de um ano. A cabeça de ponte está justamente no Brasil, mais especificamente em Franco da Rocha, com uma base de 1,5 mil usuários dos serviços de banda larga. “Um dos principais ganhos é a dispensa de envio de técnicos a campo, uma vez que as funções de análise, configuração, resolução de problemas e manutenção são feitas remotamente e de forma centralizada”, explica Roberto Seiji Murakami, diretor da área de Carriers e de Smart Energy da NEC Brasil.

Murakami lembra que a aplicação real da CPE para assinante residencial está sendo feita numa das áreas mais difíceis da cobertura da Telefonica em São Paulo. Depois de “roer o osso”, a fabricante japonesa ganha mais um ponto na sua reinvenção local. Ao mesmo tempo, a empresa acredita no mercado de infraestrutura de micro-ondas para redes que fazem a integração entre o core e o acesso (backhaul). Nesse caso, entra a área de produtos, notadamente o portfólio de micro-ondas que, junto com outras soluções, responde por um quarto dos 75% da área de telecomunicações. Histórico não falta para a NEC no setor: em 2008 ela ativou uma rede com 1.315 estações em quatro meses, criando um backbone para a Vivo no Nordeste.

A divisão de serviços responde pelos 25% finais do quinhão de telecomunicações no país. Estão nessa lista desde o suporte técnico até o fornecimento de peças sobressalentes, passando pelo centro de operação de rede como serviço. Murakami também tem a missão de “evangelizar” os potenciais clientes da área de energia inteligente (smart grid), com soluções, entre outras, de armazenamento da geração renovável. “São projetos que envolvem o uso de baterias de lítio e outras inovações”, adianta o diretor. Ele ressalta, no entanto que a energia maior ainda está concentrada no mercado de telecomunicações.

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