Nova Esperança, no Paraná, é a cidade “mais limpa” do Brasil

Da Redação – 08.07.2016 –

Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana avalia cenário do país e mostra que região Sul concentra as dez cidades mais bem resolvidas no quesito. Todas têm menos de 10 mil habitantes.

Criado pelo Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana (Selur), o parâmetro foi desenvolvido a partir da pesquisa coordenada pela consultoria PwC e anunciada no final de junho. De acordo com o Selur, a iniciativa não é criar um ranking de cidades mais limpas ou contrapor as que estão nessa categoria com outras. Mas a verdade é que o levantamento indica as que combinam melhor quatro fatores – engajamento da sociedade, impacto ambiental, recursos financeiros e coleta de resíduos. Da lista de melhores posicionadas, a paranaense Nova Esperança desponta como a “mais limpa” do país, considerando os fatores que definiram o Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (ISLU).

Cada um dos quatro fatores cruza informações específicas: engajamento do município (população atendida x população total); recursos financeiros (despesas com a limpeza urbana x despesas totais); coleta de resíduos (material reciclável recuperado x total coletado); e impacto ambiental (quantidade destinada incorretamente x população atendida). Esses critérios foram escolhidos por meio de interações estatísticas, com a mesma metodologia de cálculo utilizada pela ONU para o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).

Com base neles, a PwC definiu a classificação que mostra que as dez cidades melhores posicionadas estão no Sul do Brasil e têm menos de 10 mil habitantes. Do ponto de vista de informação, o estudo considerou os dados de 1.721 municípios brasileiros, com base nos critérios da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada em 2010. De acordo com o Selur, a PNRS “criou um termômetro onde aponta os problemas e soluções de cada local, caso a caso, com pontuação de zero a um”. Os dados utilizados têm como base o ano de 2014 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIC).

“O objetivo do ISLU não é ser um ranking de cidades limpas x cidades sujas. Os resultados dessa análise servirão de insumo para os gestores públicos e privados de limpeza urbana, assim como associações e a sociedade em geral, a tomarem as medidas necessárias a fim de atender as exigências da PNRS e fomentar um ambiente sustentável e saudável em seus municípios”, afirma Ariovaldo Caodaglio, presidente do Selur.

A campeã Nova Esperança tem pouco mais de 27,7 mil moradores e reforça o padrão do Paraná como estado que se destaca no estudo por seu pioneirismo em educação ambiental desde os anos de 1980. Já entre as cidades com mais de 250 habitantes, os paulistas se sobressaem, ocupando um terço das 20 primeiras posições do ranking, com boas pontuações em São José dos Campos, Santos, Campinas e Sorocaba. Com arrecadação econômica abaixo do necessário, a capital paulistana ficou com classificação C, considerada ruim. Porém, se atingisse sustentabilidade financeira para os seus gastos com limpeza da cidade, São Paulo teria a pontuação mais alta entre todas as capitais do país, passando para a classe B.

Mostrando que ser uma “cidade limpa” é um processo complexo e com muitas etapas, Brasília também está na faixa C da análise. Apesar de ter uma aparência limpa em suas ruas e avenidas, o Distrito Federal possui um enorme lixão, criando um imenso passivo para a saúde ambiental e pública de seus moradores. Com o descarte correto, Brasília estaria entre as 10 melhores cidades com mais de 250 mil moradores.

Entre os 20 municípios com as piores avaliações, metade se encontra na região Norte. Em Rio Branco, no Acre, o ISLU aponta que elevar a coleta de resíduos em 15% é fundamental para que a capital passe para a classe B do estudo.

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