Pedreira do futuro já existe no Brasil

Da Canaris – 26.09.2018 – 

Seminário promovido pela Anepac e Metso apresenta novas soluções, tecnologias e tendências para o mercado de agregados, que já demonstra uma melhora no país.

A indústria de agregados minerais está em rota de retomada no Brasil. A produção sai de um cenário desafiador, de forte retração entre 2015 e 2018, para uma estimativa positiva de crescimento para o período de 2019 a 2020. É esperado, como uma tendência mundial, mais investimentos em rodovias visto que o país tem um grande potencial nessa área.

Para debater essas questões, empresários brasileiros reuniram-se na Fiesp em São Paulo, no dia 13 de setembro, para o Seminário Agregados – Desafios, Novas Tecnologias e Produtos. Promovido pela Associação Nacional das Entidades de Produtores de Agregados para Construção (Anepac) e Metso, o evento tratou dos desafios do mercado, incluindo inovações tecnológicas, automação de equipamentos, processos e, a criação de novos produtos através do processo de britagem para o setor de agrobusiness.

 

Automação e otimização de energia

Como não existe pedreira sem jazida, o seminário abordou essa etapa destacando o Planejamento Dinâmico de Lavra (PDL), processo que tenta identificar oportunidades ocultas em mineradoras já existentes, ampliando o tempo de exploração. A ideia do PDL é funcionar como um plano de voo e levar ao melhor aproveitamento da produção. E há uma razão para isso: as operações atuais não são substituídas de um dia para o outro. A abertura de novas jazidas consome, em média cinco anos, para o licenciamento e envolve o aval de diversas entidades.

Além da necessidade de ampliar a vida útil das pedreiras, empreendedores do setor de agregados precisam reduzir custos operacionais e buscar eficiência produtiva. Duas frentes foram apresentadas no Seminário Agregados, primeiro a otimização do consumo de energia, que representa cerca de 10% do custo total de produção da brita, e segundo, a aplicação da automação. Para o primeiro desafio, a indicação dos especialistas envolve um pacote de ações, que vão desde o redimensionamento do projeto elétrico da planta até a adoção de dispositivos como inversores de frequência e motores de alto rendimento.

A automação, por outro lado, está longe de ser um sonho. Durante o evento, foram mostrados casos reais no Brasil. A meta? Fazer com que os equipamentos trabalhem não somente mais, como também de forma mais eficiente com inteligência embarcada nos mesmos. O processo de mudança envolve as opções: o redesenho radical dos layouts da planta, com adoção de tecnologias emergentes ou – o mais utilizado neste momento – com controle e otimização digital da planta existente. Independente de alternativa, o recado dos especialistas é que a indústria 4.0 já chegou aos produtores de agregados e é absolutamente factível, no ponto de vista técnico-econômico.

Britador automatizado é exemplo real de indústria 4.0 no Brasil

A automação também faz parte de um portfólio de soluções apresentadas pela Metso, com destaque para a nova linha de britador cônico MX, que mescla na mesma máquina a regulagem pelo bojo e pelo pistão. Os recursos de automação incluem o controle da máquina, a proteção contra sobrecargas e um histórico de operação. Os ajustes automáticos são feitos em tempo real e os dados de operação ajudam a melhorar o desempenho e alimentam a manutenção com informações. O modelo MX4 já está ativo em várias pedreiras do Brasil e o modelo MX3 deve ser lançado no final desse ano.

A flexibilidade de produção – outra demanda identificada no evento – é o foco de outro equipamento, o britador de rolos hidráulicos de alta pressão HRC. Ele pode ser aplicado na produção de areia de brita para concreto como na produção de finos para rochagem ou ainda a britagem de brita para fabricação de areia manufaturada. Por ter um baixo consumo energético e permitir alta produtividade, ele está alinhado com a demanda de redução de custos e aumento de produtividade das plantas.

As peneiras de alta frequência Ty Hummer são mais uma frente de aplicação que combinam a versatilidade (feldspato, calcário etc) com recursos que levam ao menos desgaste de peças e mais controle de questões ambientais, incluindo a redução de pó. Assim como no caso de bombas para o setor de agregados, outra área de produtos apresentada pela Metso no evento, as peneiras podem ter um dimensionamento personalizado, inclusive com simulação por meio de softwares especializados.

Especialistas definem equipamentos adequados para rochagem

A personalização também vai tomar conta na nova fronteira do setor de agregados, o uso de rochas britadas como remineralizadores, condicionadores e fontes de nutrientes para solos agrícolas. Com regularização de uso pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o processo exige várias etapas de certificação paras a pedreiras que têm interesse em ingressar no setor de agrobusiness. Além dessas fases, as mineradoras também terão o desafio de adaptar suas plantas para o novo mercado.

O uso dos remineralizadores chega no momento em que as pedreiras trabalham com baixa capacidade em função da crise econômica. A promessa é de aumentar o leque de soluções e produtos com valor agregado atrativo, e o que é mais interessante: fornecendo para o segmento que não para de crescer no país. Para entrar nessa briga, no entanto, as pedreiras precisam considerar as características da rocha que britam, as exigências de granulometria especificadas pelo Mapa, o valor de venda do remineralizador e dos equipamentos e insumos como peças de desgaste e energia.

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