Petroleiras miram startups para investir em novas tecnologias

Redação – 02.09.2019 –

Balanço é dos especialistas que participaram da O&G TechWeek na semana passada

As startups nunca saíram da mira das petroleiras, mas agora elas ganharam um novo impulso na O&G TechWeek. O evento, que aconteceu na semana passada no Rio, mostrou a possibilidade de uso de recursos de P&DI diretamente em startups. A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) aprovou essa possibilidade, explicitada oficialmente pelo superintendente de pesquisa e desenvolvimento da agência, Alfredo Renault.

Segundo ele, a agência entendeu que, em 20 anos de utilização dos recursos previstos nos contratos de produção de petróleo e gás para investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, houve pouca inovação e, em consequência, pouco impacto na produtividade. “Isso ocorreu porque nossa universidade é muito qualificada, mas tem pouca experiência em dar um salto para inovação. Faltou empresa. A mudança de regulamento que está em curso visa que tenha melhores resultados na inovação”, disse.

Além do investimento em startups, Renault destacou duas outras mudanças nas regras da cláusula de P&DI: alocação de recursos em projetos desenvolvidos por fornecedores e bolsas para graduação, mestrado e doutorado em cerca de 55 programas em áreas de interesse da indústria de petróleo e gás existentes no país. “Queremos incentivar uma maior integração entre universidade e fornecedor, com a participação efetiva da petroleira”, completou, chamando atenção também para o risco de falta de mão de obra no setor em três ou quatro anos.

Inteligência artificial é a tecnologia mais promissora para o setor

A inteligência artificial será a tecnologia que mais impactará o setor de petróleo e gás até 2030. Foi a escolhida pelos participantes da O&G TechWeek entre 16 tecnologias elencadas pela organização: internet das coisas, big data analytics, computação em nuvem, robótica industrial, RPA (automação inteligente); smart transportation; drones industriais; manufatura aditiva; nanotecnologia; realidade virtual; wearables industriais; computação quântica; blockchain; cibersegurança; além da inteligência artificial.

Para Sergei Beserra, diretor da Gartner que participou do debate, o setor de O&G é essencialmente uma “indústria de dados”. “Todas as tecnologias que lidam com dados serão alavancadas”, previu, complementando que “inteligência artificial pode ajudar muito mais em simulação de cenários, porém menos do que na realidade instrumental”.

Já o gerente de transformação digital da Petrobras, Augusto Borella, destacou como promissoras outras tecnologias que acabaram eliminadas no decorrer da disputa. Os dispositivos usáveis, para o executivo, serão essenciais num futuro próximo. “Segurança deve ficar em primeiro lugar, por isso precisamos de wearables agora”, afirmou, destacando o principal ganho que essa tecnologia disponibiliza a indústria.

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