A rede de telecom do futuro na visão de quem a vende

Da Redação – 03.10.2017 –

Formação de ecossistema, integração de TI com telecomunicações, ações táticas de curto prazo estão entre os conselhos

A inevitabilidade de virtualização das funções de rede (NFV) e das redes definidas por software (SDN) não significa que as operadoras estejam ativando as tecnologias a todo vapor. Embora o processo estratégico envolva longo prazo – três a cinco anos – ações táticas, desde que monetizadas, podem e devem ser ativadas segundo os especialistas que participaram de um painel sobre o assunto, realizado agora pela manhã na Futurecom, que acontece em São Paulo.

Para Jonas de Oliveira, diretor da Amdocs, os players precisam desenvolver ecossistemas que facilitem a vida das operadoras. No caso da empresa, ele destaca que a Amdocs já possui o seu ecossistema, com mais de 50 parceiros, desde fabricantes de hardware a desenvolvedores de software, e conta com pelo menos 80 funções virtualizadas prontas que poderiam ser adotadas pelas operadoras. Ele também aponta no conceito de open source para ampliar ainda mais o uso de NFV e SDN.

Esse último tópico também está, obviamente, na pauta da Red Hat, defensora do conceito de software aberto com abordagem profissional. Edson Stein, diretor da empresa, avalia que uma das principais contribuições dessa comunidade é a filosofia de trabalho dos profissionais de TI, a qual vem migrando cada vez mais para o universo dos engenheiros de telecomunicações.

Para o diretor de Tecnologia da Logicalis, Fábio Hashimoto, as operadoras devem avançar no curto prazo com soluções monetizadas. Devem ter ações táticas, com a ativação de pelo menos um serviço de NFV, lança-lo, aprimorá-lo aos poucos e ir integrando outras funções na sequencia. “Essa é outra cultura da área de TI, ou seja, as ativações podem ser incrementais”, resumiu.

Assim como a Logicalis, a Ericsson tem um papel de integrador (embora também seja fabricante) na área de SDN e NFV. Paulo Bernardocki, diretor da multinacional sueca, destacou a experiência direta com a Telefonica nos últimos dois anos e argumenta que as operadoras precisam trabalhar com requisitos cruzados, principalmente na ativação dos conceitos em seus data centers. “Não estamos mais falando da instalação de um equipamento na rede como acontecia com a infraestrutura tradicional de telecomunicações”, alerta.

Héctor Silva, diretor de Tecnologia da Ciena, reforça o papel dos data centers, lembrando que eles passam a ser a oficina central das redes e que o desafio das operadoras é aplicar a NFV e o SDN cada vez mais das bordas da rede para o acesso. “Estamos falando da desagregação crescente das redes, o que exige flexibilidade”, finaliza.

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