Rede óptica aumenta a demanda por técnicos especializados, avalia consultor da EXFO

Nelson Valêncio – 25.10.2019 –

Avaliação é do consultor Gwenn Amice, que destaca a escassez de técnicos de campo de nível 2. Uma das saídas é capacitar os profissionais de linha de frente e dotá-los com equipamentos melhores

Treinamento de técnicos de linha de frente e uso de equipamentos de teste mais completos, com maior nível de interpretação de resultados, libera os técnicos de nível 2 para intervenções complexas

A ampliação da infraestrutura de fibra óptica, inclusive para servir de base para o 5G, vai mudar muita coisa no universo de telecomunicações. Uma delas é a exigência de técnicos mais qualificados para instalar e testar as redes. Quem alerta para a nova realidade é Gwenn Amice, consultor da EXFO, uma das fabricantes top de sistemas de teste, e profissional com mais de 25 anos de mercado. Num artigo publicado no site da revista americana ISE, em setembro desse ano, ela chama a atenção para o fato. Somente a BT Group, a operadora do Reino Unido, teria contratado cerca de 3 mil estagiários para apoiar as implantações de rede óptica e teria criado 12 centros regionais de treinamento para aperfeiçoamento de mão de obra.

“A visibilidade da qualidade da infraestrutura também está se tornando fundamental para garantir que as expectativas dos clientes sejam atendidas. Para redes existentes, alguns enlaces exigirão manutenção antes de serem atualizados para transmissões mais rápidas”, argumenta Amice. De acordo com ele, os custos podem ficar fora de controle se os técnicos enviados para solução de problemas não estiverem equipados com testadores adequados. “Em média, 85% dos técnicos da linha de frente estão equipados com fontes de luz e power meters ou localizadores visuais de falhas”, complementa o especialista da EXFO.

Para os leigos no assunto, ele traduz os dados acima: a dupla fontes de luz e power meters é suficiente para verificar se um enlace tem energia e continuidade, mas não o suficiente para encontrar e identificar falhas, como conectores defeituosos”, sentencia Amice. A ressalva deve acender a luz para muitos gerentes de rede de operadoras no Brasil e ou de suas contratadas. O  aparato adequado exige pelo menos um OTDR operado por um técnico de nível 2. Mas atenção para o parágrafo seguinte.

Técnico de nível 2 se concentraria nos testes e reparos mais complexas 

De acordo com Amice, técnicos especializados de nível 2 não são tão numerosos a proporção é de 5 técnicos de linha de frente para 1 especialista de nível 2). O resultado da equação é a escassez de profissionais especializados, pois são procurados e estão menos disponíveis. O resultado? A solução de problemas pode demorar alguns dias, com impacto direto na satisfação do cliente. “É importante ter em mente que despachar um técnico de nível 2 é mais caro para o operador ou contratado”, lembra.

A explicação detalhada de Amice vale a pena ser lida. “Para um trabalho típico de aceitação de instalação, um técnico de nível 2 é enviado para caracterizar a fibra com o OTDR e extraindo relatórios. Essa fase geralmente inclui algumas soluções de problemas, pois eventos defeituosos anteriormente despercebidos são exibidos. O técnico não pode deixar o site com um rastreio que inclua eventos defeituosos; portanto, como mencionado anteriormente, o técnico chama os técnicos da linha de frente de volta para corrigir falhas ou o técnico de nível 2 cuida disso, excedendo o tempo (e os custos) planejado. Isso resulta em alto OpEx e baixo retorno do investimento (ROI) para um trabalho”.

Bom, a solução indicada por ele é adotar um modelo disruptivo de teste, treinando melhor os técnicos de linha de frente e os equipando com novos recursos, ou seja, dispositivos de teste. Com isso, eles poderiam verificar os enlaces mais rapidamente e evitar o acionamento de técnicos de nível 2. A abordagem também livra os técnicos qualificados para se concentrarem em trabalhos que realmente exijam seus conhecimentos. Um dos pulos do gato seria o uso de equipamentos de teste que com maior nível de interpretação e com interface amigável.

A aquisição de equipamentos de teste também não pode ser limitada ao preço. É preciso considerar o custo total de propriedade e mais o investimento no treinamento dos técnicos. “Para obter o custo total de propriedade, considere os custos anuais de calibração (mais o incômodo de enviar sua unidade de volta à fábrica e o tempo necessário para recuperá-la)”, destaca Amice. De acordo com dele, são custos negligenciados. “Mantenha-se atento a equipamentos que não exijam manutenção ou calibração de fábrica e que possuam peças substituíveis em campo (como conectores e baterias)”, aconselha.

A nova abordagem inclui ainda mudanças de processo. A ideia é maximizar a presença de técnicos da linha de frente, capacitando-os com a capacidade de validar enlaces e encontrar e corrigir falhas. Com isso, os técnicos de nível 2 podem ser despachados para trabalhos ​​que realmente exijam seus conhecimentos. Ao capacitar os técnicos da linha de frente para encontrar e corrigir problemas, eles podem encerrar as demandas com a certeza de não terem deixado falhas a serem corrigidas. O resultado é uma receita mais rápida, pois a aceitação do trabalho e a ativação do serviço agora são feitas com facilidade.

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