Robôs, drones e sensores são aliados da infraestrutura

Nelson Valêncio – 18.03.2019 – Todo mundo já deve ter falado alguma vez que seja com um robô, ligando para a operadora do cartão de crédito ou tentando resolver um problema com a concessionária de energia etc. A inteligência artificial também é outra realidade para empresas de utilidades, mas existem aplicações bem mais pé no chão quando falamos do uso inovação. É o caso de drones, robôs e sensores para monitorar as condições de redes elétricas ou de telecomunicações, barragens, estradas, minas subterrâneas e outros.

Os exemplos se multiplicam desde a empresa japonesa Terra Drone Corporation, especializada em drones para avaliação da infraestrutura de redes de transmissão e de distribuição de energia – agora presente no Brasil – até startups locais como a 4avants, de Curitiba, que têm um posicionamento de mercado similar, ao adotar os drones para gerar imagens e cruzar essas informações – via inteligência artificial – e ajudar as empresas do setor a otimizar os ativos de rede.

Os robôs, por sua vez, assumem tarefas de alto risco. É o caso da Hydro-Quebec, do Canadá, que adotou um equipamento para inspeção eficiente de pacotes de condutores em linhas de transmissão de alta tensão. Explicando: pacotes de condutores são um tipo de infraestrutura usado no Canadá e em vários lugares do mundo. No caso da empresa norte-americana, metade de seu sistema é formada por essa tecnologia, que apresenta vários desafios quando se considera a inspeção automatizada, sem uso direto de mão de obra.

Em uma nota que demos sobre o assunto no InfraROI, destacamos – nas palavras da concessionária – que o sistema é o equipamento tem “um revolucionário mecanismo interno” que o permite superar os obstáculos de forma rápida e fácil para conseguir realizar a inspeção desse tipo de linha de maneira mais rápida e simples. O uso do novo robô dispensa a necessidade de uma equipe especializada para as tarefas de inspeção e pode avaliar 20 km de linhas por dia e sem interferir na geração de energia.

A segurança também é o tópico da Internet das Coisas (IoT) aplicado a outros ativos de infraestrutura como as barragens – para geração de energia ou para acúmulo de rejeitos de mineração. Vamos falar desse último em especial. Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), temos 769 barragens de mineração no país, das quais 55% são monitoradas pela Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), um programa que leva em consideração várias características. Barragens com altura de 15 m ou mais ou com capacidade de ou acima de 3 milhões de m3, por exemplo, devem ser monitoradas pelo PNSB.

Em todas elas é possível aplicar algum tipo de recurso citado: seja bóias com sensores para medir o nível da água e enviar dados via satélite para algum servidor remoto, sensores ao longo da barragem para avaliar as estruturas de contenção e drones para sobrevoar e captar imagens que permitam a avaliação de riscos. Segundo a empresa especializada World Sensing, ocorrem pelo menos 20 falhas em barragens de mineração por década. A indicação de sensores para acompanhar indicadores chaves é uma das recomendações da companhia.

Nem toda solução é exatamente cara ou complexa. Os chineses reduziram em 60% o roubo de bicicletas elétricas compartilhadas na cidade de Zhengzhou em um mês. Como? Simples, os veículos passaram a ter um sistema antirroubo com monitoramento via rede de banda estreita (narrow band ou NB) de Internet das Coisas (IoT). Hoje, as cerca de 2 milhões de bicicletas elétricas são acompanhas pelo sistema de rastreamento. Não se trata apenas de segurança, pois os gestores urbanos podem ter informações a respeito de rotas, entre outros dados. Tecnologias existem e provar seu retorno de investimento em projetos de infraestrutura ou mobilidade urbana não é de outro mundo.

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