Sede da Apple será o prédio mais caro do mundo

Por Haroldo Aguiar – 14.02.2017 –

Apelidada de espaçonave, a nova sede da empresa tem um custo estimado de 5,4 bilhões de dólares para a construção de 260 mil metros quadrados de área.

Como todo projeto idealizado por Steve Jobs, a nova sede da Apple, em Cupertino, na Califórnia, Estados Unidos, não se restringirá a cumprir apenas a função de um mero edifício corporativo. Fazendo justiça ao apelido que ganhou dos funcionários da empresa e moradores do Vale do Silício, de “Spaceship” (espaçonave), ele promete incorporar itens de tecnologia compatíveis com a reputação da companhia líder nesse quesito.

Mais do que isto, ou talvez em função disso, ele também já figura como o prédio corporativo mais caro do mundo, tendo um custo previsto de 5,4 bilhões de dólares para sua construção. O valor é relevante ao se considerar que o edifício terá 260 mil metros quadrados de área construída, para abrigar os 13 mil funcionários da Apple em Cupertino. Projetado pelo arquiteto britânico Norman Foster, o Campus II, nome oficial do empreendimento, foi concebido em formato circular, com quatro pavimentos, de forma a interagir com a flora local e criar até mesmo um bosque interno.

Qualquer semelhança visual com uma espaçonave estacionada no meio oeste americano, cena típica do filme “Contatos de Terceiro Grau”, não é mera coincidência. Principalmente em se tratando de Steve Jobs. A ideia do fundador da Apple, falecido em 2011, era transformar a nova sede da companhia em uma cidade verde conectada a Cupertino. As inovações construtivas adotadas envolvem até mesmo o uso de lajes ocas de concreto, de forma a dispensar a instalação de tubulações para distribuição do ar condicionado nos ambientes internos.

Ao todo, a obra emprega 4.300 placas de concreto pré-fabricado e sua fachada, produzida sob medida, será revestida por 3 mil painéis de vidro. Cada peça mede 10 metros de altura e 14 metros de comprimento, pesando cerca de 3 mil quilos. Já o volume de concreto industrializado utilizado no empreendimento ultrapassa o total de 50 mil metros cúbicos. Com inauguração prevista para este ano, a obra passou por tantas adequações durante sua execução que custou até mesmo o rompimento entre contratante e os contratados para sua execução.

Em 2015, as construtoras Skanska e DPR, que tocavam a obra, foram substituídas pela Rudolph e Sletten & Holder Construction. Atualmente, o edifício está recebendo um revestimento de painéis solares em sua cobertura, que terão capacidade para gerar 16 megawatts por dia de energia. O lixo orgânico produzido pelos funcionários irá para usinas de processamento e deve contribuir com mais 4 megawatts por dia. Diariamente, o novo complexo da Apple irá consumir 130 megawatts e o restante da energia consumida será fornecido pela companhia elétrica do condado de Monterey e pela fazenda de energia solar First Solar, que opera no deserto da Califórnia.

Pela legislação da Califórnia, berço da construção sustentável no mundo, os edifícios verdes garantem redução na carga tributária a seus investidores, algo fundamental para uma empresa como a Apple, que fatura anualmente perto de 500 bilhões de dólares e recolhe cerca de 59,2 bilhões de dólares em impostos aos governos dos Estados Unidos, Califórnia e Cupertino. A empresa, que responde por 18% da arrecadação tributária da cidade, negociou até mesmo um abatimento nessa área em troca de investimentos em infraestrutura urbana.

Mas além dos aportes da Apple na melhoria da mobilidade urbana de Cupertino, como a recuperação de parques e praças, a construção de ciclovias e melhorias no transporte público, a ideia é que a Spaceship seja uma aparelho urbano disponível à comunidade. A área central do prédio, por exemplo, abrangerá um parque com sete mil árvores que poderá ser utilizado pela população local. Excentricidades de Steve Jobs.

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